Até criadores do "Clube da Esquina" torceram por Brant

Nas galerias do plenário da Câmara, uma platéia atenta e emocionada acompanhou toda a sessão do julgamento do deputado Roberto Brant (PFL-MG). Criadores do Clube da Esquina, o grupo mineiro que inovou a música brasileira na década de 70, os compositores Fernando Brant, irmão do deputado, e Márcio Borges, também "irmão de sangue" como ele próprio definiu, aplaudiram de pé o discurso do parlamentar e demonstraram a mesma mágoa e tristeza que Roberto Brant declarou sentir com o processo de cassação que teve de responder."Tentaram fazer um julgamento moral, da honra do Roberto. Estão julgando a minha honra também. Nós tivemos a mesma educação, nosso pai nos ensinou os mesmos valores. Somos gente honesta que gosta do País", afirmou Fernando. "Tenho o maior orgulho de ser irmão do Roberto", completou. "O que atinge Roberto, me atinge pessoalmente. Vim representando todos os 12 irmãos Borges", disse Márcio.Sem inspiração"A gente tem a mesma índole. Ninguém é rico. Somos o que nossos pais nos ensinaram. Que ganhássemos a vida honestamente e que fôssemos felizes. Plantaram um deserto no coração do Roberto. Vai demorar nascer grama ali", completou Borges. Dos dez irmãos Brant, 7 foram ao Congresso, além de sobrinhos e outros familiares.Fernando Brant lamenta perder o seu representante na Câmara. "Sempre soube dizer em quem votei e o que o meu deputado fazia. Fiquei sem representante. Isso será ruim", disse Fernando Brant, referindo-se ao fato de o irmão ter anunciado que deixará a vida pública qualquer que fosse o resultado do julgamento. Mas ele dá uma sugestão para o futuro do deputado. "Ele terá muito livro para ler e muita música para ouvir e pode contribuir com muitas idéias", afirmou.Autor de Travessia, sua primeira parceria com Milton Nascimento e segundo lugar do II Festival Internacional da Canção, Maria, Maria - que virou balé do premiado Grupo Corpo, Canção da América, entre outras músicas, Fernando Brant disse não ter visto inspiração no episódio para compor. "O que a gente escreve sempre tem relação com o que acontece com a gente. A felicidade, as infelicidades, os prazeres e as dores estão sempre nas nossas músicas", disse Fernando, com a concordância de Márcio Borges.

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