Até Chinaglia chega atrasado na primeira sessão após recesso

Presidente da Câmara diz que mesmo fora do plenário acompanhava registro de presenças

Denise Madueño e Cida Fontes, O Estadao de S.Paulo

05 de agosto de 2008 | 00h00

Apesar dos telegramas enviados aos deputados por duas semanas, a primeira sessão da Câmara com votação marcada após o recesso parlamentar só conseguiu atingir o quórum para votação, de 257 deputados, às 19h30. O próprio presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP), se atrasou. Chegou à Câmara uma hora e cinco minutos depois de iniciada a sessão extraordinária e não gostou de saber que alguns deputados, nos bastidores, estavam criticando a sua ausência. "Desafio a dizer quando não cumpri minha função", afirmou. Chinaglia disse que estava acompanhando, mesmo fora da Câmara, o registro de presenças dos deputados e que não era necessário ficar no plenário à espera de quórum. Ele afirmou estar "moderadamente otimista" com a possibilidade de votação esta semana.Chinaglia decidiu fazer votações em agosto e setembro, apesar de os parlamentares estarem em campanha nos seus Estados para as eleições municipais de outubro. Ele pretende fechar um acordo com os partidos para liberar a pauta trancada por quatro medidas provisórias e dois projetos de lei do Executivo em regime de urgência e elaborar uma agenda positiva, com a votação de projetos escolhidos pela própria Casa e não impostos pelo Executivo. No Senado, a situação é diferente. Mal chegaram do recesso parlamentar de 15 dias, os senadores já começam a tratar das próximas folgas. O presidente da Casa, Garibaldi Alves (PMDB-RN), reconheceu que será necessário "fazer um esforço muito grande" para que o Congresso funcione nestes dois meses que antecedem as eleições municipais. "É importante todos participarem das campanhas e os candidatos às prefeituras pedem a influência dos parlamentares em seus municípios", afirmou o senador.Garibaldi vai propor amanhã aos líderes partidários, durante reunião, que a terceira semana deste mês seja reservada para a campanha eleitoral, o que equivaleria a mais uma semana de recesso parlamentar.Em setembro, essa folga seria maior, de 15 dias, e acertada para as duas últimas semanas do mês. A idéia é realizar votações nas duas primeiras semanas e na última de agosto. Segundo ele, isso possibilitaria aos senadores acompanharem de perto as eleições municipais. Para o encontro com os líderes, o senador convidou também os presidentes das comissões permanentes, onde estão tramitando assuntos considerados importantes. Entre eles, a indicação de Emília Ribeiro para o cargo de conselheira da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que ainda depende de parecer na Comissão de Infra-Estrutura antes da votação em plenário. O relator é o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), que está sendo pressionado a entregar logo seu parecer. Amanhã ele desembarca em Brasília para conversar com os colegas. Em seu relatório, Guerra pretende avaliar se Emília tem competência e preparo técnico para assumir um cargo de regulação, numa tentativa de retirar a politização das agências. Outra pendência é a indicação do procurador-geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Arthur Badin, para a presidência do órgão. O presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), Aloizio Mercadante (PT), pretende conversar com os líderes para marcar a data da sabatina e da votação na CAE até a próxima semana.O presidente do Senado vai tentar também desobstruir a pauta trancada por três medidas provisórias. "Quando há acordo de lideranças, os projetos caminham rapidamente para votação, determinados prazos são deixados de lado porque há acordo. Se conseguirmos consenso, tudo bem", disse, ao admitir que durante a campanha eleitoral o Congresso estará esvaziado.

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