Até 2010, África terá 50 milhões de órfãos por causa da Aids

O número de órfãos no mundo estaria caindo se não fosse a epidemia de Aids. Até o ano de 2010, a África Subsariana, onde a doença faz a maior parte da devastação, 50 milhões de crianças serão órfãos, um terço por causa da Aids. Os dados são do relatório "Children on the Brink 2004", divulgado hoje durante a 15a. Conferência Internacional de Aids, em Bangcoc (Tailândia).Na América Latina, o número de crianças órfãos vem caindo. No ano passado, as agências das Nações Unidas que prepararam o relatório estimam a existência de 12,4 milhões de crianças com menos de 18 anos sem um ou ambos os pais -- uma queda de 10% comparada com 1990.No entanto, em países como o Haiti, em que a incidência da Aids já chegou a 5,5% da população, o número de órfãos também subiu. A estimativa é hoje 15% das crianças naquele país sejam órfãos, mais do que o dobro da média da região.Fora da África, a ONU decidiu não mais fazer estimativas de quantas crianças ficaram órfãos por conta da Aids. "Na África, onde a epidemia é basicamente heterossexual, podemos projetar o número médio de filhos de cada mulher para termos uma relação. Em outros locais, como o Brasil, onde muitas vítimas são homossexuais ou usuários de drogas injetáveis, a relação familiar e de filhos não é a mesma. Estamos trabalhando num modelo para fazer essa projeção", explicou John Stove, responsável pelas estatísticas do relatório.Situação do BrasilNo relatório, o Brasil aparece como tendo 4,3 milhões de órfãos ? ou 7% de toda a população entre 0 e 17 anos. Desses 3,3 milhões seriam órfãos apenas de pai. "O impacto que a epidemia de Aids tem nas crianças é brutal. Já sabemos que as crianças órfãos tem maior probabilidade de serem menos saudáveis, mais mal nutridas, mais exploradas. E em alguns lugares da África haverá uma geração quase inteira de crianças cridas dessa maneira", afirmou Carol Bellamy, diretora-geral do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).De acordo com o diretor-executivo do programa das Nações Unidas para Aids (Unaids), Peter Piot, apenas 140 mil crianças órfãos pela Aids recebem hoje algum tipo de apoio. "A maior parte dos países realmente afetados pela epidemia não possuem uma política para tomar conta dessas crianças", afirmou.

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