Até 100 mil vão contribuir pela web para programa de governo, espera PSDB

Partido montou núcleos de discussão e definiu que proposta agregará contribuições de subgrupos regionais e de fóruns de debates; projeto deve ser formatado até agosto

Julia Duailibi / SÃO PAULO - O Estado de S.Paulo

26 Maio 2010 | 23h46

O PSDB montou núcleos de discussão para o esboço do programa de governo do pré-candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, e definiu que a proposta agregará contribuições de subgrupos regionais e de fóruns de debate na internet.

 

A meta no partido é que até cem mil pessoas colaborem, por meio da rede, com o projeto, que será formatado até agosto. A área técnica do programa está composta por quadros que integraram a administração Serra em São Paulo e as duas gestões na Presidência de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

 

Foram escolhidos 40 temas para discussão em todos os Estados. Cada um dos eixos temáticos será debatido por, pelo menos, um colaborador ou técnico indicado pelos três principais partidos que compõem a aliança nacional: PSDB, DEM e PPS.

 

Se o mecanismo de fato funcionar, serão mais de 3 mil pessoas envolvidas diretamente na elaboração da proposta – mas, mesmo internamente, estima-se que a contribuição seja menor, de até 500 colaboradores.

 

O DEM e o PPS indicaram, respectivamente, os deputados José Carlos Aleluia (BA) e Arnaldo Jardim (SP) para fazerem a interlocução partidária com o coordenação do programa, que é feita pelo secretário da Agricultura, Xico Graziano, que deixará o cargo no começo de junho.

Cada um dos líderes dos partidos aliados indicou dois técnicos para ajudar na formatação. Pelo DEM, foi chamado para participar das reuniões Marcelo Garcia, ex-secretário de Desenvolvimento Social da Prefeitura do Rio de Janeiro. Pelo PPS, Cláudio Vittorino, secretário nacional de Formação Política do partido. Os dois já estão atuando.

 

É a primeira vez que o partido tenta compilar colaborações para um programa nacional usando a rede de forma sistemática. O objetivo é agregar demandas regionais e dar um caráter nacional à discussão – há reclamações de que as decisões estão concentradas em São Paulo, onde está grande parte dos colaboradores e técnicos ligados a Serra.

 

Diretrizes. Paralelamente às discussões temáticas, o núcleo mais próximo de Serra já desenha as Diretrizes do Programa de Governo, que devem ser lançadas no começo de julho, quando a campanha começa oficialmente. Esse primeiro documento será mais geral e apresentará os princípios e fundamentos políticos que embasarão a proposta de governo – temas como planejamento, infraestrutura e emprego serão contemplados.

 

Um grupo de aproximadamente 50 pessoas, de diferentes regiões, tem ajudado a produzir papers sobre assuntos específicos. Esses documentos, além de aproveitados no programa final, são levados a Serra, que os usa na sua preparação para os debates.

 

Nesse tipo de assessoria, o pré-candidato tucano tem contado com a ajuda de Geraldo Biasotto, diretor executivo da Fundação do Desenvolvimento Administrativo (Fundap), e Gesner Oliveira, presidente da Sabesp.

 

Biasotto tem ajudado a compilar e organizar questões sobre infraestrutura, que se desdobram em outros subtemas, como energia e petróleo. Gesner, que foi presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) no governo Fernando Henrique Cardoso, tem se mantido mais nos assuntos macroeconômicos, sua especialidade.

 

Na área social, a pesquisadora do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) Ana Lobato, que está cedida para o Senado, onde é técnica no gabinete de Tasso Jereissati (PSDB-CE), tem organizado as linhas do programa. Ana Lobato coordenou a área social da Casa Civil durante o governo FHC e terá papel fundamental num dos temas mais sensíveis do debate eleitoral.

 

O diplomata Rubens Barbosa, que foi embaixador do Brasil em Londres e Washington n o governo tucano, ajudará nas questões sobre comércio exterior.

 

Outro nome do governo FHC que colabora com o programa, e também terá papel importante na discussão na rede, é o do cientista político Eduardo Graeff, que foi secretário-geral da Presidência da República.

 

Fronteiras. Com o formato “interativo” do programa de governo, o PSDB diz que pretende também “ampliar as fronteiras do partido”, de acordo com definição ouvida pelo Estado de um coordenador da campanha. Há ainda ceticismo em relação à eficácia que as colaborações feitas na rede poderão ter para o programa de governo final.

 

Para integrantes do partido, no entanto, a função mais importante do debate programático na rede é a de mobilização da militância e dos simpatizantes com a candidatura Serra. Esse mecanismo de participação, também usado pelo PT, foi explorado pela campanha e, depois, pelo governo de Barack Obama nos Estados Unidos – embora o contexto e os públicos sejam diferentes, lembram tucanos.

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