Ataques pessoais e ações na Justiça marcam reta final

Em três dias partidos apresentaram 11 pedidos de direito de resposta e representações ao TRE de São Paulo

Ricardo Brandt e Daniel Bramatti, O Estadao de S.Paulo

16 de setembro de 2008 | 00h00

A 20 dias da eleição, os três principais candidatos a prefeito de São Paulo, Marta Suplicy (PT), Geraldo Alckmin (PSDB) e Gilberto Kassab (DEM), recrudesceram os ataques pessoais e passaram a inundar a Justiça Eleitoral com pedidos de direito de resposta e representações por irregularidades nas propagandas de TV e de rádio. Mais informações sobre as Eleições 2008Levantamento feito pelo Estado nos registros da 1ª Zona Eleitoral - responsável pela capital - mostra que em todo mês de agosto foram ajuizadas nove ações de direito de resposta e representações por propaganda irregular por parte das três principais candidaturas.Neste mês, só entre terça-feira e quinta-feira da semana passada, foram 11 pedidos protocolados. Se considerarmos desde o dia 1º até ontem, foram 43 processos apresentados pelo PT, DEM ou PSDB.O aumento das ações judiciais é reflexo direto do acirramento da disputa e da elevação do tom das críticas. "Está aumentando o número de ações entre as coligações e isso acontece porque a disputa ficou ainda mais acirrada pela segunda posição e com uma candidatura na liderança que ainda não está consolidada e em tendência de queda", avaliou o promotor eleitoral Eduardo Rheingantz. "Como os votos dos indecisos são encarados como essenciais para essa definição, é natural que eles farão de tudo para avançar nesse eleitorado."Segundo última pesquisa Ibope, Marta lidera com 35% (em queda) e Alckmin e Kassab estão empatados com 21%.BATALHA CAMPALAté a semana passada, a troca de acusações e a guerra jurídica se restringia a um duelo entre Marta, líder absoluta nas primeiras pesquisas eleitorais, e o prefeito Kassab, que com um alto índice de aprovação de governo, mas imagem desconhecida, decidiu polarizar com a petista.Das 43 ações trocadas entre as três principais coligações, 23 eram de Kassab contra Marta e 15 da ex-prefeita contra o atual prefeito.Depois da mudança no cenário das pesquisas, consolidando Kassab como adversário direto do PSDB na busca pela segunda posição, o tucano deixou de lado o tom diplomático e boa-praça da campanha, substituiu seu marqueteiro e passou a mirar em seus dois rivais, transformando a disputa entre os três em uma batalha campal.No último fim de semana foram entregues dois pedidos de direito de resposta contra a propaganda eleitoral de Alckmin veiculada na TV. Nela, um ator caracterizado como piloto pede ao telespectador pra imaginar a cidade como um avião e pergunta se ele prefere vê-lo nas mãos de alguém que grita com o passageiro (mostra foto de Kassab), de alguém que manda relaxar em um momento difícil (exibe imagem de Marta) ou de "um comandante sério", referindo-se a Alckmin."A campanha do PSDB, que até então evitou a postura agressiva, agora está desesperada com a falta da presença dos correligionários, e sem o apoio de seus vereadore decidiu partir para o ataque", avaliou Hélio Silveira, advogado do PT. Até ontem, os petistas não haviam representado contra Alckmin.Ontem, o tucano fez o ataque mais forte a Kassab na televisão desde o início do horário eleitoral gratuito. "Kassab nem de longe deu continuidade às metas para a educação estabelecidas pelo então prefeito Serra", disse Alckmin.O programa do DEM associou os ataques ao aumento de chances de o prefeito ir ao segundo turno. "A Marta critica o Kassab, o Alckmin critica o Kassab", observou o apresentador. Já a candidata petista foi exibida em meio a moradores da zona leste que criticavam a prefeitura e elogiavam a proposta da petista de implantar na cidade um sistema sem fio de acesso gratuito à internet.

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