'Ataques' de Lula provocam reações do Judiciário e da oposição

Presidente criticou duramente os Poderes e o presidente do TSE e disse que 'cada um deve ficar no seu galho'

29 de fevereiro de 2008 | 15h14

Os ataques do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Poder Judiciário e, mesmo sem citar nomes, ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Marco Aurélio Mello, na noite da última quinta-feira, 28, provocou reações "duras" da oposição e do próprio ministro. Recentemente, Mello foi um dos que criticou a ampliação dos programas sociais do governo em um ano de eleições municipais.   Veja também:   Tarso defende declarações de Lula sobre ministros do STF Lula se irrita e critica ministros do STF  Ministro do STF se diz perplexo com agressividade de Lula   "Seria tão bom se o Poder Judiciário metesse o nariz apenas nas coisas dele, o Legislativo apenas nas coisas dele, e o Executivo nas coisas dele." Lula cobrou de deputados e senadores que fossem à tribuna rebater "as sandices" que estão sendo ditas. "Ele quer ser ministro da Suprema Corte ou político? Não tem um palpite meu no Legislativo e o governo não se mete no Judiciário. Se cada um ficar no seu galho o Brasil tem chance de ir em frente", disse o presidente em tom raivoso.   Em entrevista à rádio CBN, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Marco Aurélio Mello, respondeu às críticas se dizendo 'perplexo' com a agressividade das declarações. "A minha couraça é muito boa", ironizou. "Na nossa área jurídica há um fenômeno que é denominado o direito de espernear. Aqueles que se mostrem inconformados por isso ou por aquilo eles têm o direito de reclamar. Eu só estranhei a acidez do presidente", afirmou.   O líder tucano no Senado, Arthur Virgílio (AM), fez as declarações mais "duras" contra Lula em entrevista à rádio CBN. "Se ele (Lula) pudesse, governaria só com os aloprados dele, com aquela turma mais íntima. Sobre quem ele passa a mão na cabeça o tempo inteiro, com a turma da tapioca", atacou. Virgílio disse ainda que o governo não erra em manter os projetos sociais, mas precisa "parar de inventar artifícios em ano eleitoral para fraudar resultados".   Governar 'por decreto'   A liderança do PSDB divulgou também uma nota contestando as declarações de Lula, que acusou a oposição de impedi-lo de governar o País ao entrar com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF), contra o lançamento do programa Territórios da Cidadania, em ano eleitoral.   "A liderança repudia também as agressões claramente dirigidas a um dos mais ilustres integrantes do Poder Judiciário, ministro Marco Aurélio Mello, que não vai seguir as ordens do Palácio do Planalto", afirma o Virgílio na nota. "A agressão ao ministro é uma agressão à Suprema Corte do País.   O senador Jarbas Vasconcelos (PE), dissidente do PMDB, disse que as declarações de Lula mostram que, nos últimos tempos, ele extrapolou todos os limites imaginados. "São coisas gravíssimas, que não ficam só na área do destempero", afirmou o senador. Ele lembrou que ainda nesta semana Lula declarou que se pudesse faria reforma tributária por decreto, deixando claro mais uma vez o seu desprezo pelo Congresso. Na avaliação do senador o que está ocorrendo é que Lula está lançando mão de bens públicos, como o avião presidencial, para fazer campanha e usar o palanque para desancar o Congresso Nacional e agora o Poder Judiciário.   Para o líder do DEM, senador José Agripino, as palavras do presidente Lula revelam que ele se tornou "arrogante e presunçoso e que acha que pode tudo". "O primeiro a se meter nas coisas dos outros poderes é ele próprio que inviabiliza o Poder Legislativo com medidas provisórias", afirmou Agripino.   O senador Heráclito Fortes (DEM-PI) classificou de uma "agressão ao Congresso Nacional" a declaração de Lula, que comparou a oposição brasileira "a baratas". "Para quem convive com ratos que acompanham o presidente, até que barata é um bom negócio", ironizou Heráclito Fortes. O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), lembrou que o Legislativo tem legitimidade para recorrer à Justiça contra atos do Executivo sempre que necessário.   (Com Rosa Costa e Felipe Recondo, de O Estado de S. Paulo)   Texto ampliado às 15h24

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