Ataque desastroso do DEM foi combinado

A intervenção desastrosa do líder do DEM, senador José Agripino (RN), que deu vitória política à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, logo na primeira das nove horas de depoimento dela ao Senado, foi fruto de um ataque combinado do partido. Na véspera do depoimento, o líder comandou a reunião semanal da bancada do DEM, realizada sempre na terça-feira, e informou aos senadores sua tática para forçar a ministra a falar do dossiê contra os tucanos. Ficou acertado ali que ele citaria uma entrevista em que a própria Dilma falava sobre suas respostas aos interrogatórios dos órgãos de repressão e sobre a tortura na prisão. Abatido com o mau desempenho diante da ministra, foi o próprio líder quem puxou o assunto na reunião da Executiva Nacional do DEM ontem. "Minha intervenção não pegou a bancada de surpresa, porque eu disse que pretendia fazer um encaminhamento mais ou menos nesse rumo", lembrou Agripino, abrindo o debate do "day after" na direção partidária. "Comentei com a bancada antes e todos apoiaram porque o enfoque não era este que a mídia deu. O enfoque dado ontem foi um erro de interpretação", disse Agripino, sob o olhar solidário do senador Marco Maciel (PE). Tanto Maciel como Jayme Campos (MT) defenderam a tese de que houve um equívoco de interpretação, aproveitado com muita competência pelo governo que comunica muito melhor que o DEM e que ajudou a divulgar a versão favorável à ministra.Depois da reunião, Agripino afirmou ao Estado que o único responsável pela intervenção malsucedida era ele. "Eu assumo isto e não quero estender esta discussão porque estamos todos caindo no laço da ministra Dilma."O líder defende a tese de que a ministra deu "uma resposta enviesada e emocionalizada, puxando a questão da tortura, para fugir do assunto principal que é o dossiê". "Todo mundo caiu."Agripino ponderou que citou a tortura com dois objetivos: mostrar "a dureza da ditadura, que se caracteriza por um Estado policialesco", e para salientar que dossiê e quebra de sigilo de um caseiro são instrumentos típicos de regime de exceção.

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