Ataque de minoria é ´cortina de fumaça´, diz TFP

O ataque feito em anúncio pelos jornais à Tradição, Família e Propriedade (TFP) não passa de "inconformidade de sete antigos sócios fundadores com as decisões judiciais". No fundo, constituem "uma cortina de fumaça para encobrir ilicitudes". Foi nesses termos que o presidente da entidade, Antonio Rodrigues Ferreira, reagiu nesta quinta-feira à nota de um grupo de dissidentes que acusa a TFP de calar-se "na hora em que o Brasil é fustigado por uma grave crise social e política".A acusação, divulgada na quarta-feira, foi assinada pela TFP francesa - pois os autores estão impedidos pela Justiça de utilizar a sigla da instituição. No texto, os dissidentes afirmam que "o leão da TFP foi amordaçado" e perguntam "por que ela não se manifesta mais". Queixam-se também da Justiça, que os obriga a silenciar "num contexto em que muito se fala do estabelecimento de um projeto de poder com inequívocas notas totalitárias".As cobranças insinuam um certo pragmatismo da outrora radical e antiesquerdista TFP - o que é previsível, pois esse grupo minoritário mostra-se mais rígido e contrário a inovações, como a aceitação de mulheres entre seus associados.Em nota oficial, Ferreira argumenta que "na falta de argumentos de defesa" seus adversários procuram sempre "qualificar de perseguição religiosa, ou conluio de forças maquiavélicas qualquer tentativa judicial de recuperar o patrimônio da sociedade".Esse tiroteio dura 11 anos. Começou com a morte, em outubro de 1995, do fundador e então presidente da TFP, Plínio Correia de Oliveira, que pelo seu prestígio nos meios católicos tradicionais mantinha unidos os vários grupos. Sem ele, um grupo de diretores próximos assumiu o controle e não aceitou que as eleições para a diretoria tivessem a participação de todos os associados - pela regra, segundo eles, apenas os oito ou dez diretores votariam.Um outro grupo, que ganhou apoio de pelo menos 80% dos dirigentes e militantes, foi à Justiça e obteve o direito de realizar eleições abertas. Ao mesmo tempo, a disputa pelos bens da TFP arrastou-se, nos tribunais."Hoje alguns desses sócios fundadores estão com seus bens bloqueados pela Justiça e indiciados criminalmente em inquérito que investiga apropriação indébita e desvio patrimonial", diz o presidente Ferreira.O superintendente administrativo, Roberto Takayanagi, acusou em recente artigo a gestão do grupo minoritário, enquanto controlou a entidade: "Da noite para o dia, mais de mil pessoas foram expulsas". Isso representava 80% dos membros.Segundo Takayanagi, a assembléia geral que alterou os estatutos e empossou uma nova diretoria ocorreu "de forma absolutamente regular e segundo escrupulosamente os requisitos previstos". Mas - e aí reside a questão - ao tomar posse os diretores só encontraram salas e armários vazios: "Algumas estantes metálicas, dois computadores velhos, duas mesas, duas cadeiras, um antiquado aparelho de faz e dois ventiladores".

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