Ataque da dengue será pior neste ano, diz especialista

A confirmação de mais uma morte por dengue no Rio de Janeiro elevou para 24 o número de vítimas da doença no Estado neste ano. Em apenas dois meses, a quantidade foi a mesma verificada em todo o ano de 1991, quando ocorreu a epidemia que foi considerada a mais grave da história do País.Para evitar que a situação se repita no próximo verão (época de maior proliferação do Aedes Aegypti), o ministro da Saúde, Barjas Negri, anunciou nesta sexta-feira no Rio que o trabalho de prevenção à dengue será permanente.Os dados oficiais mostram que em janeiro e fevereiro de 1991 houve 54.672 notificações no Estado. A estatística deste ano se aproxima: foram cerca de 53 mil casos (a Secretaria Estadual de Saúde só divulgará balanço na segunda-feira). Apesar de os números serem parecidos, o especialista Edimilson Migowski, professor de infectologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), afirma que este ano a situação é muito mais grave.?Acredito que o número total de casos seja bem maior do que o de 91, assim como o de dengue hemorrágica. Além disso, dessa vez está circulando o vírus do tipo 3 (que chegou ao Brasil em dezembro de 2000), mais agressivo. E o principal: o fato de as pessoas já terem sido expostas à dengueantes as torna mais suscetíveis a desenvolver a forma mais grave da doença?, explicou Migowski.Em todo o ano de 91 ? quando a epidemia foi provocada pela entrada do vírus do tipo 2 ?, as notificações de dengue chegaram a 85.891. Migowski afirma que o número será bem maior no fim de 2002, já que, segundo ele, mais de 80% dos casos são subnotificados. Segundo o professor, já existem cerca de 400 mil casos no Rio atualmente.Oficialmente, a capital fluminense registrou 23.687 casos da doença, sendo 336 da forma hemorrágica, e responde por 19 mortes. Nesta sexta-feira, a Secretaria Municipal de Saúde confirmou que a morte da dona-de-casa Dalma Santos Ramos, de 51 anos, foi provocada pela dengue hemorrágica. Ela morreu há duas semanas.Dalma é a segunda vítima no bairro do Grajaú, na zona norte do Rio, onde já foram notificados 521 casos da doença. No dia 8 de fevereiro, a advogada Flávia Maria Salazar Guerra, de 32 anos, morreu depois de contrair a forma mais grave da dengue.O ministro da Saúde disse que a campanha de combate ao mosquito continuará depois do fim do verão de 2002. ?O jogo contra a dengue não termina quando acaba o verão?, afirmou. Jarbas Negri explicou que o governo está alertando a população dos riscos da dengue desde setembro de 2001. ?Em novembro, já tínhamos uma campanha no ar.?O ministério estuda a criação de um dia nacional de combate à dengue, a exemplo do dia D que ocorrerá no Rio daqui a uma semana. O objetivo é mobilizar todo o País para evitar que outros Estados sofram epidemias, informando sobre os métodos de acabar com os focos do mosquito.Fará parte da propaganda para divulgar o dia D ? cuja campanha está custando R$ 2 milhões ? a distribuição de 10 milhões de folhetos com instruções de como exterminar os focos do mosquito da dengue. Integrantes de Organizações Não-Governamentais (Ongs), membros de igrejas e agentes de saúde vão percorrer locais de grande concentração de pessoas para entregar os folhetos.Nas praias, um avião com faixa informativa avisará sobre a campanha. ?Em um dia, vamos mobilizar todo o Rio. Ficará marcado na história da cidade?, disse o secretário municipal de saúde, Ronaldo Cezar Coelho.O Ministério da Saúde informou que vai oferecer aos médicos dos hospitais da rede federal diárias extras para que eles trabalhem no atendimento aos pacientes com dengue nos fins de semana. Os profissionais, que ganharão entre R$ 200 e R$ 250 pela jornada de 12 horas de trabalha, reforçarão as equipes de plantão nos postos de saúde do município.O ministro Negri anunciou também a liberação antecipada de R$ 43 milhões para que Estados e municípios reforcem os programas de combate à dengue, dos quais o Rio receberá R$ 3,8 milhões.O Aedes aegypti ganhou mais um inimigo: a homeopatia. Homeopatas estão atendendo gratuitamente pacientes com dengue desde o último dia 27. O tratamento ainda está em fase de teste e, caso seja comprovada sua eficácia, poderá ser aplicado em hospitais públicos.O presidente da Federação Brasileira de Homeopatia, Fabio Bolognani, está otimista: ?Esperamos uma experiência positiva. Ainda estamos coletando dados epidemiológicos para ver se o número de casos vai cair.?

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