Ataque ao Iraque não deve ser unilateral, diz Lafer

O ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, tentará nesta quinta-feira convencer os demais membros da Organização das Nações Unidas (ONU) que qualquer ação unilateral dos Estados Unidos no combate ao terrorismo, em especial um possível ataque militar contra o Iraque, será considerada ilegítima.Como ocorre desde 1949, o Brasil será o primeiro país a se pronunciar na abertura dos debates da Assembléia-Geral da ONU. A mensagem brasileira de defesa do diálogo e da cooperação entre os países na solução dos conflitos antecederá o discurso do próprio presidente americano, George W. Bush.Em um momento delicado, no qual os Estados Unidos se desdobram para obter apoio externo a possíveis bombardeios ao Iraque, Lafer apostará em um discurso fundamentado em princípios jurídicos e nas práticas diplomáticas em defesa do multilateralismo. Em síntese, o chanceler deixará clara a posição do governo brasileiro de que, mesmo no momento atual de ?graves desafios?, há maior necessidade de o mundo responder com legitimidade.Mais adiante, definirá o termo como o resultado do consenso em torno de ações de cooperação - não de agressão. O ministro vai ainda reiterar que os termos da Cartas das Nações Unidas, o conjunto básico de normas da ONU, devem prevalecer neste momento e que o Brasil não voltará atrás em seu compromisso com o multilateralismo.Ou seja, deixará claro que qualquer ação militar dos Estados Unidos no Iraque somente será considerada legítima por Brasília se houver o respaldo do Conselho de Segurança da ONU e que o País não se deixará dobrar por outros argumentos. Em seu discurso, Lafer defenderá a tese de que liderança ? nesse caso, dos Estados Unidos ? é fundamental.Mas deve pressupor o diálogo aberto entre as nações e o consenso sobre as tarefas a serem conduzidas pelas nações líderes. Ainda reafirmará a posição defendida pelo Brasil de que o combate ao terrorismo, ao tráfico de drogas e ao crime organizado requer trabalho meticuloso e, em especial, a parceria e a cooperação entre os países.Prestes a iniciar, em novembro, a etapa decisiva das negociações da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), o Brasil deixará claro que deverá conduzir essas discussões de forma ?madura e conseqüente?. Em seu discurso, entretanto, Lafer mencionará a Alca como o quinto e último dos desafios do País na área externa nos próximos meses, em um recado indireto aos Estados Unidos de que as negociações podem seguir um rumo diferente do imaginado por Washington. O primeiro dos desafios será o fortalecimento do Mercosul - seguido pela integração sul-americana, pelo acordo comercial com a União Européia e pela parceria com ?todos os continentes?.

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