Ataque a índios em MS é denunciado durante evento na Noruega

A divulgação dos atos de barbárie que resultaram na morte de um indígena foi feita pela advogada Joênia Wapixana no Oslo Redd Exchange, evento que discute formas de combater o desmatamento

André Borges, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2016 | 14h15

BRASÍLIA - O confronto ocorrido nesta terça-feira, 14, entre índios e fazendeiros na terra indígena Dourados-Amambaipegua I, no município de Caarapó, em Mato Grosso do Sul, foi denunciado nesta quarta-feira, 15, em um evento sobre desmatamento que acontece em Oslo, na Noruega.

A divulgação dos atos de barbárie que resultaram na morte de um índio e que deixaram vários feridos, entre eles crianças, foi feita por Joênia Wapixana, primeira advogada indígena brasileira, durante o evento Oslo Redd Exchange 2016, que discute formas de combate ao desmatamento. O evento organizado pelo governo da Noruega recebe representantes de governos e organizações de 35 países.

 

A vítima fatal do conflito sangrento deflagrado por fazendeiros na região é Clodiode Aquileu Rodrigues de Souza, de 26 anos, que era agente de saúde indígena. O menino indígena Josiel Benites, de apenas 12 anos, está entre os que foram baleados. Josiel Benites foi socorrido e encaminhado para o Hospital da Vida, no município vizinho de Dourados. 

 

Além do menino guarani-kaiowá, pelo menos mais cinco vítimas estão em estado grave, entre elas Nurivaldo Mendes, de 37 anos, com tiros no tórax e abdômen; Lipércio Marques Daniel, de 42 anos, com tiros na cabeça, tórax e abdômen; e uma pessoa identificada apenas como Jesus, de 29 anos, com um tiro na barriga.

 

A situação ainda é tensa na região, onde os conflitos são recorrentes. A Fundação Nacional do Índio (Funai) divulgou nota lamentando a morte do agente de saúde indígena . "A instituição manifesta sua solidariedade ao povo indígena guarani-kaiowá e o compromisso de atuar na mobilização das autoridades de segurança objetivando a apuração de responsabilidades pelo óbito e pela lesão aos indígenas que se encontram feridos", declarou.

 

A Funai informou que dialoga com o Ministério da Justiça, o Ministério Público Federal e a Polícia Federal para uma intervenção imediata na contenção do conflito na região. "Os guarani-kaiowá lutam há décadas pela regularização fundiária de seus territórios de ocupação tradicional, e a Funai condena toda e qualquer reação desproporcional embasada em atos de força e de violência contra o povo indígena", afirma a fundação.

Fora de risco. Os cinco indígenas que foram encaminhados ao Hospital da Vida, em Dourados (MS), permanecem em estado grave, mas não correm mais risco de morte. A informação foi confirmada ao Estado pelo superintendente do hospital Genivaldo Dias da Silva.

Das cinco vítimas internadas, três passaram por cirurgias, entre elas o menino indígena Josiel Benites, que sofreu lesão no estômago, intestino e rins. Outros dois indígenas permanecem em observação, para saber como seus quadros de saúde devem evoluir. Um desses pacientes foi alvo de quatro tiros. 

"Estamos acompanhando os quadros. Por enquanto, nenhum paciente tem previsão de alta, mas podemos dizer que todos não correm mais de risco de morte iminente", disse Genivaldo. "Foi uma barbárie, não compartilhamos com essas ações."

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