Astronauta brasileiro defende uso de Alcântara pelos EUA

O astronauta Marcos César Pontes, de 40 anos, que deve ser o primeiro brasileiro a participar de uma viagem espacial, defendeu nesta terça-feira o acordo com os EUA para o uso comercial do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão. Ponto crítico da negociação entre os dois países, a cláusula que impede a transferência de tecnologia americana para o Brasil é, segundo ele, usual em contratos similares."A gente precisa de tecnologia espacial e, para isso, temos dois caminhos: ou construimos o nosso lançador de satélites, e aí é mais barato e lançamos os satélites do jeito que quisermos, ou pagamos caro para alguém lançá-los e nas condições que eles quiserem. Isso sim é perder soberania e não, fazer a comercialização de Alcântara", disse o tenente-coronel Pontes, que há cinco anos participa do Programa Espacial Internacional da Nasa, em Houston, no Texas.Pontes, queveio ao Brasil participar do seminário de metrologia promovido pela Rede Tecnológica do Rio, repetiu argumentos do governo brasileiro para justificar o acordo como fonte de captação de recursos para investir no programa espacial brasileiro. "Temos que lembrar que os EUA detêm uma grande parte do mercado de satélites e não podemos perder esse mercado. Temos que pensar de maneira comercial. Ganhar dinheiro, sem ferir a soberania, e fazer com que Alcântara seja produtivo".Perguntado sobre os investimentos do atual governo na área de Ciência e Tecnologia, disse apenas que aguarda a realização da promessa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, feita logo após o acidente na base de Alcântara, em agosto, no qual morreram 21 pesquisadores. "Ele disse que o programa especial brasileiro ia ter todo apoio, com recursos no Orçamento. Espero que isso realmente aconteça". E observou: "Precisamos resolver os problemas sociais, mas não podemos se concentrar apenas em uma área, pois a ciência e a tecnologia representam o futuro e é preciso investir no futuro".

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