Associação lança campanha contra câncer ocular infantil

A TUCCA (Associação para Crianças e Adolescentes com Tumor Cerebral) está lançando, a partir do próximo dia 15, uma campanha com a atriz Ana Paula Arósio em prol do diagnóstico precoce do retinoblastoma, um tumor ocular maligno originário nas células da retina, que ocorre nos primeiros dois anos de vida. Os belos olhos de Ana Paula, segundo os organizadores, podem ajudar na sensibilização dos pais, para que aprendam a reconhecer os sintomas, e evitar que as crianças afetadas percam a visão, ou até mesmo a vida. "Entre os vários tipos de câncer que ocorrem na infância, o retinoblastoma é o que mais se beneficia do diagnóstico precoce. É possível eliminar o tumor apenas com tratamento conservador, por exemplo com laser, evitando a remoção do olho e os procedimentos mais agressivos, como quimio e radioterapia", diz Sidnei Epelman, presidente da TUCCA e da Sociedade Brasileira de Onocologia Pediátrica. O retinoblastoma é um câncer raro, segundo os especialistas, e por isso pouco conhecido pela população. Dados do Ministério da Saúde indicam cerca de 300 casos por ano no Brasil. Epelman explica que a campanha é o resultado de um congresso mundial realizado em Bruxelas, na Bélgica, no ano passado, que concluiu a necessidade do diagnóstico precoce em países onde há maior incidência. "No mundo todo, esta doença ocorre em maior número em países em desenvolvimento e isto coincide com a ausência de um sistema de diagnóstico precoce", explica. Esta situação acontece na América Latina, incluindo o Brasil, em alguns países africanos e também na China, Egito, Índia e Turquia. O objetivo é encontrar os prováveis 300 casos e tratá-los o mais cedo possível, garantindo cura completa com o mínimo de conseqüências futuras para a criança. Para isso, a TUCCA vai distribuir folders com informações em pontos estratégicos, como consultórios pediátricos, oftalmológicos e maternidades, promover reuniões entre a classe médica, além da divulgação pela mídia. Mais informações também podem ser obtidas pelo site www.tucca.org.br. A longo prazo, a idéia é fazer com que o exame oftalmológico se torne obrigatório nas maternidades, como acontece hoje com o exame do pezinho. "Como no caso do exame do pezinho, a justificativa não envolve quantidade, mas qualidade. Esta é uma doença que pode ser completamente curada se diagnosticada a tempo, com enormes ganhos na qualidade de vida destas crianças depois", justifica. Se detectado tardiamente, as chances de bons resultados são poucas devido aos graves efeitos temporários e permanentes do tratamento que podem comprometer a vida do paciente. Epelman ressalta que essa primeira fase de planejamento da campanha só está sendo possível graças às parcerias do Instituto da Visão, do International Network for Cancer Treatment and Research, da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE) e da Fundação Banco do Brasil dentro do programa Criança e Vida. E também a generosidade dos profissionais e artistas que participam do filme e na produção da campanha veiculada pela mídia sem cobrar cachê.

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