Associação italiana ataca reação de Lula

?Não esperávamos isso dele?, diz entidade de vítimas do terrorismo

Clarissa Oliveira, O Estadao de S.Paulo

17 de janeiro de 2009 | 00h00

Em meio à polêmica provocada pela concessão do status de refugiado político ao extremista italiano Cesare Battisti, a Associação Italiana de Vítimas do Terrorismo (Aiviter) condenou ontem o tratamento dado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao caso. "Nós não esperávamos isso dele", disse o gerente de Relações Internacionais da associação, Luca Guglielminetti, em referência ao fato de o presidente ter dito que a Itália pode não gostar da decisão, mas terá de aceitá-la. "Não estamos pedindo nada além de respeito às sentenças judiciais, o que se espera de qualquer país democrático."No meio da semana, assim que tomou conhecimento da concessão do refúgio pela mídia italiana, a associação divulgou uma nota queixando-se da decisão tomada pelo ministro da Justiça, Tarso Genro. "A decisão brasileira foi baseada numa suposta perseguição política ao múltiplo homicida Battisti", diz a nota. Ainda no documento, a entidade disse esperar que órgãos institucionais italianos conduzam "uma forte intervenção junto ao Executivo brasileiro" para garantir "o respeito ao Estado de Direito".Guglielminetti disse acreditar que, ao analisar o caso, Ministério da Justiça brasileiro não poderia ter simplesmente desconsiderado a posição adotada pelos tribunais italianos. "A nossa opinião não poderia ser diferente das sentenças judiciais que saíram dos tribunais. Sentenças judiciais não são meras opiniões. Não é uma questão de acreditar em algo ou não. É uma questão de fatos", acrescentou o dirigente.Segundo Guglielminetti, Tarso Genro pode ter sofrido influência de opiniões externas ao decidir pelo refúgio político. Ele aponta que cartas e apelos feitos, por exemplo, por intelectuais, menosprezaram as acusações que pesam sobre o ex-extremista italiano, assim como os direitos de vítimas do terrorismo.Dizendo esperar uma reação de autoridades italianas para tentar reverter a decisão, Guglielminetti não descartou a possibilidade de um impacto do episódio nas relações diplomáticas entre Brasil e Itália. "Isso vai depender da coragem do nosso governo."

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