Associação dos delegados da PF nega grampo a juízes do STF

Delegado diz que alguns saltam como "macaco na queimada" só de imaginar uma investigação

Renata Veríssimo, Agência Estado

19 de agosto de 2007 | 14h33

O presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ANDP), delegado Sandro Torres Avelar, divulgou nota neste domingo, 19, criticando matéria publicada hoje pela revista Veja, na qual ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) denunciam as suspeitas de serem alvos de grampos telefônicos ilegais realizados pela Polícia Federal. Veja também: Ministros do STF suspeitam que estão sendo grampeados pela PF A matéria, entitulada "A sombra do estado policial", afirma que "os abusos no comportamento da Polícia Federal não se esgotam na suspeita de grampos ilegais", mas "também há suspeitas de manipulação do conteúdo de gravações feitas legalmente". Essas ações são atribuídas "a banda podre da PF". O presidente da ANDP reagiu energicamente à publicação e afirmou que a matéria causou "verdadeiro espanto e profunda náusea". Segundo a nota divulgada por Sandro Avelar, já há pessoas comemorando a reportagem como um indicativo inesperado de que contarão com o apoio do STF para a aprovação de medidas restritivas às investigações criminais. Ele lembra que grampo ilegal é crime e que qualquer cidadão que tiver conhecimento de um caso ocorrido deve denunciá-lo. "Se for autoridade pública e não o fizer, arrisca-se a prevaricar. É preciso apontar os fatos, os autores, apresentar as provas, ajudar a combatê-lo, mas não alimentar a boataria com insinuações", diz a nota. O delegado ainda contesta a utilização da expressão "banda podre da PF". "Tal banda podre da PF, que se saiba não é uma banda, são focos que vêm sendo combatidos sistematicamente pela corporação. E focos de podridão não são exclusividade da PF", afirma. Avelar lembra que o Departamento de Polícia Federal está submetido hierarquicamente ao Ministério da Justiça, ao controle externo do Ministério Público e tem suas ações voltadas ao Poder Judiciário. E afirma que as escutas telefônicas são realizadas com autorização da Justiça e sob supervisão do Ministério Público. "Se alguém afirma que a PF coaduna com a prática de escuta ilegal, que é crime, também afirma, em última instância, que o Estado Brasileiro age criminosamente", diz o delegado. Ele também afirma que a imensa maioria da população não tem medo de ser grampeada. "Os violentos focos de resistência, contrários à mudança de paradigmas, normalmente, vêm de onde se espera. Mas algumas vezes vêm de onde deveria se esperar o contrário", diz a nota. Avelar ainda questiona porque alguns homens, ainda que probos e de reputação ilibada, saltam como "macaco na queimada" só de imaginar que estão sendo investigados.

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