Associação de Psiquiatria defende eletrochoque

O novo presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, Marco Antonio Alves Brasil, disse que a instituição está disposta a lutar para que o cidadão brasileiro tenha direito a tudo o que lhe possa ajudar na área da psiquiatria e saúde mental - o que inclui psicoterapia, medicamento e também a eletroconvulsoterapia (choque elétrico). Ele afirmou a eficácia e indicação da corrente elétrica nos casos de depressão profunda, com risco de suicídio, desde que aplicada de forma segura, com equipamento moderno, anestesia e autorização do paciente ou de seus familiares. "O uso da corrente elétrica não é preconização da psiquiatria, é também da cardiologia, por exemplo", observou ele, frisando que o condenável é o mau uso ou uso inadequado e indiscriminado da técnica. Poucos hospitais brasileiros têm o equipamento para o tratamento. Doutor em Psiquiatria e Antropologia na Bélgica e na França, respectivamente, o professor da Universidade Federal do Ceará (UFCE), Antonio Mourão Cavalcanti, integra uma ala de psiquiatras radicalmente contra a eletroconvulsoterapia, que consiste em dar uma descarga elétrica que provoca uma convulsão e leva a um reordenamento dos neurotransmissores. Segundo ele, há uma implicação social, histórica e política ligada ao uso de choques elétricos que deve ser levada em conta. "É um estigma social", disse ele, garantindo que em 30 anos de profissão nunca prescreveu o tratamento. "O arsenal terapêutico de que dispõe a psiquiatria hoje dispensa o eletrochoque". Mourão informou que especialmente os médicos ligados à psiquiatria social e comunitária são contra a técnica.

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