Associação de juízes desafia Calmon a revelar nomes de 'vagabundos'

O presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros, desembargador Henrique Nelson Calandra, disse que a entidade 'não aceita' o termo empregado pela corregedora do CNJ

Fausto Macedo, de O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2012 | 20h59

O presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), desembargador Henrique Nelson Calandra, desafiou a ministra Eliana Calmon, corregedora nacional da Justiça, a revelar quem são os "vagabundos" da toga.

 

Calandra representa o núcleo mais duro e conservador do Judiciário. Ele disse que a AMB "não aceita essa pecha (vagabundo) para nenhum magistrado".

 

Em sessão da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, realizada nesta terça feira, 28, para discussão da proposta de emenda constitucional que amplia os poderes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Eliana Calmon defendeu punição aos "vagabundos" da magistratura.

 

Ela não citou nomes, limitou-se a falar em "meia dúzia de vagabundos que estão infiltrados na magistratura". Calmon é autora da célebre frase sobre "bandidos escondidos atrás da toga", que abriu crise sem precedentes no Judiciário.

 

"Se for só meia dúzia ela (ministra Eliana Calmon) que diga o nome deles e os exclua da carreira, ela que proponha ao CNJ a exclusão (dos juízes vagabundos)", reagiu o presidente da AMB. Calandra é o símbolo da resistência ao poder de investigação do CNJ e da corregedora Eliana Calmon.

 

A AMB foi ao Supremo Tribunal Federal para questionar o alcance das atribuições do CNJ, mas perdeu a demanda na corte máxima. As novas declarações da corregedora nacional provocou desconforto e irritação entre magistrados.

 

"Ela (Eliana Calmon) já declinou o número (de vagabundos), o problema é fácil de solucionar", provoca Calandra. "É uma declaração infeliz da ministra, que não retrata a realidade da magistratura. Onde está essa meia dúzia? Quem é a meia dúzia? Quem são eles? A ministra deve dizer."

 

O presidente da AMB avalia que "existe uma minoria que comete erros e essa minoria está sendo punida rigorosamente pelos tribunais e pelo próprio CNJ".

 

"Hoje mesmo, o CNJ determinou o afastamento de um magistrado de primeiro grau do Piauí", disse Calandra. "Não há lugar para a corrupção, nem para a leniência, nem para falta de produção na magistratura."

 

Calandra ironizou a ministra. "Juiz não é bom comunicador, de vez em quando sai alguma coisa fora de tom. Essa é mais uma. Ela (Eliana Calmon) deve apontar quem são (os vagabundos), diga quem são. Acaba atingindo a todos."

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