Wilton Júnior/Estadão
Wilton Júnior/Estadão

Associação de delegados da PF vê saída de Cardozo por pressão partidária como 'preocupante'

Em nota, entidade afirma que notícias de que ministro deixará pasta da Justiça causam 'preocupação' com autonomia da Polícia Federal e de investigações como a Lava Jato

Leonardo Augusto, especial para O Estado, Luci Riberio e Vera Rosa, O Estado de São Paulo

29 de fevereiro de 2016 | 10h11

Belo Horizonte - A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) divulgou nota nesta segunda-feira, 29, afirmando ver com "extrema preocupação" a possível saída de José Eduardo Cardozo do Ministério da Justiça. O motivo do fim da permanência do auxiliar da presidente Dilma Rousseff na pasta seria pressão do PT, que reclama das investigações da corporação dentro da Operação Lava Jato. Conforme a nota dos delegados, "nesse cenário de grandes incertezas, se torna urgente a inserção da autonomia funcional e financeira da PF no texto constitucional".

Cardozo decidiu deixar o cargo por se sentir injustiçado e já avisou Dilma dessa vontade. A presidente tenta ao menos manter o ministro no governo, e uma opção seria a Advocacia-Geral da União. A interlocutores, o ministro tem afirmado que o PT não compreende seu papel por falar em falta de controle da pasta sobre a Polícia Federal. Cardozo argumenta que a corporação tem autonomia e que só pode atuar em caso de violação de direitos.

Em discurso no sábado, 27, nas comemorações dos 36 anos do PT, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se queixou de estar sendo perseguido pela PF. Na nota divulgada hoje os delegados afirmam que a ADPF "permanece compromissada em fortalecer a Polícia Federal como uma polícia de Estado, técnica e autônoma, livre de pressões externas ou de orientações político-partidárias".

 

Leia abaixo a íntegra da nota da ADPF

 

Os Delegados da Polícia Federal receberam com extrema preocupação a notícia da iminente saída do Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, em razões de pressões políticas para que controle os trabalhos da Polícia Federal.

 

Os Delegados Federais reiteram que defenderão a independência funcional para a livre condução da investigação criminal e adotarão todas as medidas para preservar a pouca, mas importante, autonomia que a instituição Polícia Federal conquistou.

 

Nesse cenário de grandes incertezas, se torna urgente a inserção da autonomia funcional e financeira da PF no texto constitucional. 

 

A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal permanece compromissada em fortalecer a Polícia Federal como uma polícia de Estado, técnica e autônoma, livre de pressões externas ou de orientações político-partidárias.

 

Contamos com o apoio do povo brasileiro para defender a Polícia Federal.

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