Assinatura falsa deve levar Tarso e Berzoini ao Conselho de Ética

O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), e seu antecessor, o ex-ministro Tarso Genro, serão os próximos líderes partidários chamados a prestar esclarecimentos no Conselho de Ética da Câmara. Embora não tenham aprovado o convite porque a sessão administrativa foi suspensa, os conselheiros concordam que os dois petistas devem explicações sobre a assinatura falsa de Tarso na representação contra o deputado Onyx Lorenzoni (PFL-RS), investigado no conselho. A presença de Tarso e Berzoini foi defendida principalmente pelos deputados da oposição. A deputada petista Ângela Guadagnin (SP) disse que ambos "estão à disposição do conselho". Na última segunda-feira, a perícia feita pela Polícia Civil do Distrito Federal atestou a falsidade da assinatura, que já tinha sido apontada em outros dois laudos. Tarso garante que assinou uma representação e suspeita que o documento entregue no conselho tenha sido forjado. Depois de assumir a presidência do PT, Berzoini encaminhou ofício ao conselho confirmando que Tarso assinou o documento. "Estamos diante de um crime de falsidade ideológica constatado. Insisto que não temos outra alternativa que não o convite ao deputado Berzoini e ao ministro Tarso Genro", disse o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP).O pefelista Jairo Carneiro (BA) acredita que Tarso Genro "apresentou duas versões" ao dizer inicialmente que assinou o documento entregue ao conselho e declarar agora que a representação pode ser sido trocada. "Ele agora diz que é vítima. Não podemos encerrar o processo sem que antes seja oferecida a oportunidade de o ex-ministro Tarso Genro vir aqui. Será difícil ele superar o resultado da perícia", disse Jairo.Alguns deputados chegaram a sugerir o arquivamento do processo, mas prevaleceu a decisão, a ser votada depois do carnaval, de que a representação seja invalidada por inépcia, diante da comprovação das assinaturas falsas, mas não encerrada, para permitir a investigação sobre as responsabilidades na fraude. O caso também será encaminhado ao Ministério Público e à Polícia Federal.Onyx foi acusado pelo PT de ter divulgado documentos sigilosos referentes à movimentação bancária do ex-deputado e ex-ministro José Dirceu, que foi processado no conselho e teve o mandato cassado. Berzoini disse que, se o conselho arquivar o processo, o PT vai entrar com nova representação contra Onyx. "Nossa vontade política não pode ser desfeita por uma medida burocrática", afirmou o presidente do PT, observando que, se houve falsificação, o crime precisa ser investigado. "Não vamos deixar de exercer o direito de processar o deputado", afirmou Berzoini.No episódio, há uma confusão de datas. A representação do PT foi protocolada no conselho no dia 14 de novembro passado, pelo deputado petista Wasny de Rore (DF), que diz ter recebido a representação já pronta, enviada de São Paulo pelo Diretório Nacional. No ofício enviado ao conselho, Berzoini diz que Tarso Genro assinou a representação em 18 de novembro. "Tudo indica que a pressa foi amiga da falsificação", resumiu o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ).

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