Assim como Dirceu, Delúbio é réu por formação de quadrilha

Por unanimidade, ministros do STF decidem abrir processo contra o ex-tesoureiro do PT

28 de agosto de 2007 | 12h13

O ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) aceitaram por unanimidade a denúncia contra Delúbio Soares (ex-tesoureiro do PT) por formação de quadrilha. Delúbio já responde ação por corrupção ativa. Pouco antes, os ministros do STF aceitaram por maioria a denúncia contra José Dirceu (deputado cassado e ex-ministro da Casa Civil) no crime de formação de quadrilha. O ex-ministro também já é réu em ação por corrupção ativa. O único a rejeitar a denúncia foi o ministro Ricardo Lewandovski. Segundo ele, não ficou claro em todos os elementos o delito de "quadrilha".  Veja também: STF rejeita denúncia de falsidade ideológica contra ValérioSTF julga processo contra Duda Mendonça e sua sócia ZilmarDirceu, Delúbio e Genoíno agora são réus no STF Passo-a-passo do julgamento do mensalão no STF  Veja imagens do quarto dia de julgamento Para defesa, denúncia é confusa e açodadaConjur explica diferenças de processo no caso dos mensaleiros  Quem são os 40 do mensalão Deputados na mira: os cassados, os absolvidos e os que renunciaram Entenda: de uma câmera oculta aos 40 do mensalão  Íntegra da denúncia  Veja quem já virou réu no processo   Durante leitura da denúncia, o relator, Joaquim Barbosa, disse que, a secretaria de Valério Fernanda Karina revelou em seus depoimentos a participação ativa de Delúbio Soares no esquema. Ela afirmou que os encontros entre ele e Valério eram freqüentes. Também segundo depoimento de Katia Rabello, diretora do Banco Rural,  foi informado que Delúbio "tinha livre trânsito no Banco Rural". Ele foi classificado pelo ministro do STF, Celso Britto, como "um dedo que apontava os sacadores do esquema".  Outros denunciados Após a pausa da sessão para o almoço, serão definidas a partir das 14 horas as situações de de José Genoino(deputado federal e ex-presidente do PT) e Silvio Pereira (secretário-geral do partido) também no crime de formação de quadrilha (associação de pessoas com o objetivo de cometer crimes).  Segundo trecho da denúncia do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza: "Toda a estrutura montada por José Dirceu, Delúbio Soares, José Genoino e Sílvio Pereira tinha entre seus objetivos angariar ilicitamente o apoio de outros partidos políticos para formar a base de sustentação do governo federa. Nesse sentido, eles ofereceram e, posteriormente, pagaram vultosas quantias à diversos parlamentares federais, principalmente os dirigentes partidários, para receber apoio político do PP, PL, PTB e parte do PMDB".  No documento, o procurador aponta ainda que os petistas: "valeram-se dos serviços criminosos prestados por Marcos Valério, Ramon Hollerbach, Cristiano Paz, Rogério Tolentino, Simone Vasconcelos e Geiza Dias". O relator afirmou que "cada denunciado teria, em menor e maior escala, o domínio dos atos praticados". Ainda segundo a denúncia, além dos pagamentos que foram comprovados por documentos obtidos no Banco Rural, "é preciso registrar que vários repasses foram efetuados diretamente por Marcos Valério e Simone Vasconcelos sem qualquer registro formal, ainda que rudimentar". O procurador-geral aponta Dirceu, informou Barbosa, como quem autorizava Delúbio e Silvinho a selarem acordos nas reuniões com líderes dos partidos. Jefferson, em todos os depoimentos, aponto Dirceu como criador do esquema do mensalão. Segundo o deputado cassado, Dirceu se reunia com ele para discutir os repasses. Ainda segundo depoimento de Sandra Cabral, assessora de Dirceu, era comum que os líderes partidários freqüentassem a Casa Civil para discussão de assuntos políticos. Dirceu e os petistas estavam apreensivos com a possível abertura de processo por formação de quadrilha. Eles consideram o delito emblemático e o termo "quadrilha" com mais peso no imaginário popular do que peculato. Ao blog Ancelmo.com, Dirceu disse que recebeu "com tranqüilidade" a decisão do STF, mas se lamentou de a decisão ter se baseado no depoimento de Roberto Jefferson. "Lutarei para reaver meus direitos políticos", disse ao blog.      

Tudo o que sabemos sobre:
mensalão

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.