Assessores do Planalto amenizam episódio

Assessores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tentaram minimizar as declarações do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) de que o governo compactua com a corrupção, alegando que foi uma forma de protesto de quem perdeu espaço no partido e está sem voz e voto no próprio Estado, onde existem novas lideranças.Entre esses novos líderes estariam o governador Eduardo Campos (PSB), ex-ministro de Lula e forte aliado do presidente, e o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro.Apesar de o governo ter decidido não responder oficialmente às críticas, não está descartada a hipótese de o presidente atacar Jarbas e a oposição de forma indireta.O assunto incomodou o governo, conforme relatou um auxiliar do presidente. Da entrevista do senador à revista Veja, os governistas se queixaram principalmente do fato de ele ter chamado o governo de medíocre.Um dos ministros do governo, que preferiu se manter no anonimato, disse que Jarbas "meteu os pés pelas mãos" e que, agora, para que seu discurso tenha sentido, ele terá de apresentar os corruptos do PMDB que ele aponta.Quanto à afirmação do peemedebista de que o Bolsa-Família é "o maior programa oficial de compra de votos do mundo", o auxiliar de Lula destacou a aceitação do programa no País e a forma como ele é distribuído, sem interferência direta do governo federal, já que a escolha dos beneficiados é feita pelas prefeituras e comunidades locais.Lula só foi informado das declarações de Jarbas Vasconcelos na noite de domingo, mais de 24 horas depois de a revista Veja ter começado a circular. Quem o avisou foi o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, Franklin Martins, quando este foi ao Palácio da Alvorada para acompanhar a gravação do programa de rádio Café com o Presidente.

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