Eraldo Peres|AP Photo
Eraldo Peres|AP Photo

Assessores de Dilma veem clima de fim de festa e alguns já procuram emprego

'A festa acabou', disse um assessor próximo a Dilma citado em reportagem do jornal norte-americano 'The New York Times'

Altamiro Silva Junior, correspondente, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2016 | 18h43

NOVA YORK - O jornal norte-americano The New York Times relata em reportagem nesta quarta-feira que há a um clima de fim de festa no Palácio do Planalto, misturado com alívio e resignação e até assessores procurando emprego, no que pode ser o último dia do governo da presidente Dilma Rousseff.

"A festa acabou", disse um assessor próximo a Dilma citado na reportagem, publicada na página do maior jornal dos Estados Unidos na internet na tarde de hoje. O texto cita que a presidente até mudou sua rotina nesta quarta-feira, trocando o passeio de bicicleta por uma caminha pela manhã.

Os mesmos assessores de Dilma, menciona o Times, ressaltam que as paredes do Planalto estampam um clima de "resignação sombria" com "uma pitada de humor negro". "Alguns (dos assessores) já estão procurando por novos empregos. Outros apenas parecem estar aliviados de que a longa batalha está quase terminada", descreve a reportagem.

O Times ressalta que Dilma tentou manter nos últimos dias uma rotina normal, enquanto seu processo de impeachment primeiro foi votado na Câmara e hoje tem votação no Senado. Nessa rotina, ela tinha compromissos fora do Planalto, fez viagens, participou de eventos e reuniões com ministros e políticos. Mas hoje, a agenda oficial previa apenas reuniões internas. Ao mesmo tempo, a presidente vem continuamente insistindo que seu impedimento é um golpe.

O jornal de Nova York cita que imagens já circulam hoje no Brasil de objetos pessoais e fotografias sendo retiradas do Planalto e que, caso o Senado aprove o processo de impedimento, Dilma deve ser notificada oficialmente na manhã desta quinta-feira. Além disso, alguns de seus funcionários mais próximos já nem trabalham em tempo integral, reservando tempo para buscar cargos na burocracia do governo em Brasília, que está prestes a se tornar hostil ao partido de Dilma, o PT.

A reportagem descreve ainda que Dilma deve ficar o período de 180 dias que pode durar o seu julgamento no Palácio do Alvorada, onde ainda terá direito a privilégios que o cargo de presidente da República permitem.

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