Assessora se diz alvo de ataque a senador

Denúncia de favorecimento ao BMG, partida de ex-marido, seria só contra ela

Christiane Samarco, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2005 | 00h00

A publicitária Flávia Garcia, ex-mulher de Bruno Miranda Lins, que denunciou a participação do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), em um suposto esquema de desvio de recursos públicos em ministérios comandados pelo PMDB, fez a defesa de seu chefe ontem. Flávia afirmou que o alvo dos ataques do ex-marido, que também comprometem o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), é ela, e não o senador. "O Bruno fez isso para me atingir. Estamos em processo de separação litigiosa", disse Flávia, de 32 anos, que trabalha com Renan há cinco anos e é assessora do cerimonial da presidência do Senado. "O que o Bruno quer é criar problemas para o meu chefe para que eu seja demitida. Eu reconstruí minha vida e estou vivendo bem com outra pessoa e, por isso, ele resolveu difamar a mim e a meu pai", explicou Flávia. Segundo ela, os dois estão separados desde março de 2006, mas o ex-marido jamais pagou pensão às duas filhas do casal e está sendo procurado por um oficial de justiça, que não consegue citá-lo porque ele nunca é encontrado. Na ação de separação litigiosa, Bruno pede 20% do salário de Flávia e metade da casa em que ela mora. Ela sustenta que a casa foi um presente de seu pai. Flávia disse, ainda, que Bruno morava no Lago Sul, mas fez a denúncia em uma delegacia localizada a pelo menos dez quilômetros dali, na cidade-satélite de São Sebastião - o que se deve, segundo ela, ao fato de o titular da delegacia, João Kleiber Ésper, ser amigo íntimo da mãe de Bruno, Paula Miranda. "Eu também queria saber porque esse delegado ficou 11 meses com o depoimento do Bruno parado, e não tomou providência", questiona o advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, que trabalha para o pai de Flávia, Luiz Carlos Garcia Coelho. "Esse depoimento é claramente uma tentativa de extorsão em que meu cliente é a vítima", acusa Kakay.Na denúncia, que já está sendo apurada pela Polícia Federal e será investigada pela Corregedoria do Senado, Coelho aparece como o lobista que operava para diversos políticos do PMDB no esquema de desvio de dinheiro público. Coelho, Renan e Jucá são acusados de beneficiar o banco BMG para a concessão de crédito consignado e de receber propina em troca dos favores prestados à instituição financeira. Afilhado de casamento de Renan, Bruno contou à Polícia Civil de Brasília que um assessor de Renan era encarregado de buscar o pagamento em dinheiro vivo e que às vezes a soma era grande, chegando a algo em torno de R$ 3 milhões. O advogado Kakay lembra que Bruno se dizia ameaçado, mas não pediu providência alguma ao delegado. No que se refere às transações em dinheiro "pra lá e pra cá", mencionadas em seu depoimento, Kakay afirma: "É muito fácil comprovar que isto não é verdade, até por algumas datas, em que meu cliente nem estava no Brasil". FRASESFlávia GarciaAssessora de Renan"O que o Bruno quer é criar problemas para o meu chefe para que eu seja demitida"Antonio Almeida CastroAdvogado "Queria saber porque o delegado ficou 11 meses com o depoimento do Bruno parado"

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