Assessora acusa senador do PMDB de cobrar ´mensalinho´

Um depoimento agravou o único processo pendente no Conselho de Ética do Senado: a denúncia de que o senador Geraldo Mesquita (PMDB-AC) cobraria "mensalinho" de 40% do salário de servidores contratados para seu gabinete.A assessora Maria das Dores Siqueira da Silva, que defendia o parlamentar, mudou sua versão, ao ser inquirida na segunda-feira, 29, pelo Ministério Público Federal do Acre. Ela acusou Mesquita de descontar parte do salário dos funcionários e de apresentar notas frias para justificar gastos com a chamada "verba indenizatória" de R$ 15 mil recebida pelos senadores para custear as despesas em seu Estado.A investigação começou quando Paulo dos Santos Freire, ex- funcionário de Mesquita em Sena Madureira (AC), acusou o senador de usar R$ 410 dos R$ 1.100 de seu contracheque para pagar o aluguel e o provedor da internet do escritório do parlamentar naquela cidade. Maria das Dores disse que "outras despesas do escritório" eram custeadas com parte de seu salário, de R$ 2,5 mil.O senador afirma que é inocente. Segundo ele, como o caso está na Justiça, não tem mais de se pronunciar sobre as denúncias. Relator do processo, o senador Demóstenes Torres (PFL-GO) encaminhou aos técnicos os dados obtidos com a quebra do sigilo bancário de Mesquita. Segundo ele, a perícia pode mostrar se houve ou não movimentação financeira acima do previsto na conta do colega.Demóstenes afirma que vai pedir uma reunião do conselho nos próximos dias para dar encaminhamento ao caso.Mesquita está em seu primeiro mandato. Na chegada ao Senado, eleito pelo PSB, foi visto como um exemplo de moralidade. Em 2005, diante de reportagens divulgadas pela imprensa, demitiu nove parentes contratados em cargos de confiança. Em maio do mesmo ano, desligado do partido, filiou-se ao PSOL, do qual se desfiliou por causa da denúncia do mensalinho. Está no PMDB desde o início do ano passado.

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