Assessor reafirma que Suassuna conhecia suas ações

Denunciado pelo Ministério Público pelos crimes de formação de quadrilha, corrupção passiva, fraude em licitação e lavagem de dinheiro, Marcelo Carvalho reafirmou nesta segunda-feira ao corregedor do Senado, Romeu Tuma (PFL-SP), que o líder licenciado do PMDB, Ney Suassuna, tinha conhecimento de tudo o que ele fazia no gabinete. Homem de confiança do senador, Marcelo foi exonerado em maio do cargo que ocupava quando foi preso com outros envolvidos na máfia das ambulâncias. A Justiça autorizou sua prisão preventiva, com cerca de outros 50 suspeitos, alegando que as provas contra ele eram bastante eloqüentes. Extratos em poder da Polícia Federal mostram uma grande diferença entre a renda por ele declarada e os depósitos que recebeu. Em 2003, Marcelo declarou renda de R$ 23.468,40, mas movimentou R$ 208.286,79. No ano seguinte, a diferença continuou, com R$75.723,74 declarados e movimentação de R$ 264.705,22. No ano passado, o ex-assessor de Suassuna movimentou R$ 329.863,10. Esta foi a segunda vez que ele foi ouvido pelo corregedor. Desta vez, ele negou ter intermediado operações entre prefeito e a Planam na compra de ambulâncias e medicamentos superfaturados. A Polícia Federal, no entanto, dispõe de várias gravações telefônicas em que ele aparece fazendo acertos com outros suspeitos. Na quarta-feira, ele será ouvido pelo relator Jefferson Peres (PDT-AM), encarregado do processo contra Suassuna no Conselho de Ética. Suassuna afirma que foi "traído" pelo assessor. Ainda assim, continuam empregadas em seu gabinete a irmã dele, Mariana Cardoso Azevedo, e a assessora parlamentar Maria Angélica Batista Soares, indicada para o cargo por um dos chefes da quadrilha dos sanguessugas, Darci Vedoin, dono da Planam. Nenhuma delas tem ido trabalhar, apesar de continuarem recebendo o salário.

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