Assessor de Lula se licencia para reforçar campanha de Marta

Crescimento de Kassab na reta final assusta Planalto, que decide recrutar Gilberto Carvalho para organizar reação

Clarissa Oliveira, Vera Rosa e Jotabê Medeiros, O Estadao de S.Paulo

09 de outubro de 2008 | 00h00

O braço direito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho, desembarca na próxima semana em São Paulo para integrar a coordenação da campanha da petista Marta Suplicy. Diante da preocupação, no PT e no Planalto, com o crescimento do prefeito Gilberto Kassab (DEM) na disputa, o chefe de gabinete de Lula vai tirar duas semanas de férias para reforçar a equipe da ex-ministra, que tenta retomar a dianteira na corrida municipal.A chegada do homem forte do presidente à capital paulista provocou rumores de intervenção federal na condução da campanha, mas dirigentes do PT apressaram-se em negar a interferência. A expectativa, porém, é de que Carvalho ajude a montar o plano para tentar reverter a queda na intenção de voto em Marta, registrada na reta final do primeiro turno.Lula está preocupado com a onda Kassab e acha que, se nada for feito, a petista corre o risco de perder a eleição. Na reunião de ontem da coordenação política do governo, em Brasília, o presidente afirmou que o PT não pode deixar o governador José Serra (PSDB), padrinho de Kassab, ter uma vitória em São Paulo de mão beijada. Detalhe: Serra é pré-candidato à Presidência e, até agora, o principal desafiante da chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, a preferida de Lula para sua própria sucessão, em 2010.O comentário no Planalto é que a campanha de Marta deixou Kassab "correr solto" no primeiro turno e não investiu em propostas para a classe média, ponto fraco do PT. Lula também disse ao marqueteiro João Santana que não gostou do comercial em que um "papagaio" - sátira de Kassab, que, segundo o PT, repete as propostas de Marta - brigava com um "tucano", numa referência ao ex-governador Geraldo Alckmin.Agora, a equipe do PT tentará desconstruir a imagem de Kassab como afilhado de Serra. A intenção é mostrar que Kassab pode até ter sido "adotado" pelo governador, mas seus reais padrinhos seriam o deputado Paulo Maluf (PP) e o ex-prefeito Celso Pitta, de quem o candidato do DEM foi secretário do Planejamento, entre 1997 e 1998.Tudo será discutido numa reunião marcada para hoje entre Gilberto Carvalho e o coordenador da campanha de Marta, deputado Carlos Zarattini (PT-SP). "Ele poderá nos dar um importante reforço, trata-se de um grande articulador político", disse Zarattini, negando interferência federal na estratégia da candidata. "Não há nada de intervenção. Somos um partido só." Carvalho deve aproveitar a viagem à capital para monitorar também campanhas do segundo turno no interior e na Grande São Paulo, já que o PT ainda concorre em seis municípios. O chefe de gabinete de Lula conversou ontem com o presidente estadual do PT, Edinho Silva, e comunicou ter programado a viagem para a próxima semana. "Gilberto é capaz de produzir unidade política e ajudará na coordenação", comemorou Edinho.REFORÇO Enquanto espera a chegada de Carvalho, Marta encontrará auxílio na Esplanada. Os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil), Fernando Haddad (Educação), Luiz Dulci (Secretaria-Geral da Presidência), Juca Ferreira (Cultura), Carlos Lupi (Trabalho) e Orlando Silva (Esporte) chegam hoje à capital para participar de reunião intitulada "Ato pela eleição de Marta". Sem conseguir ampliar o leque de alianças nessa nova rodada, a petista quer demonstrar unidade do partido e do governo em torno de sua candidatura, apesar das divergências. Não é só: embora o PV integre a coligação de apoio a Kassab, o ministro Juca Ferreira, líder da dissidência verde em São Paulo, vai anunciar seu aval a Marta."No primeiro turno, eu fiz um silêncio obsequioso, mas no segundo vou manifestar a minha preferência, que é a Marta", contou Ferreira. "Irei ao evento para, entre outras coisas, participar de reunião que vai elaborar o programa de cultura."Para completar os reforços, a petista reunirá também novos prefeitos eleitos pelo PT no Estado. Candidatos da sigla venceram a disputa no primeiro turno em 61 municípios. Outros 40 terão vice-prefeitos do PT.

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