Assessor de Lula diz que atendeu Greenhalgh, mas nega favor

Em nota, Gilberto Carvalho diz que checou informação sobre suposta perseguição de braço-direito de Dantas

Leonencio Nossa, de O Estado de S.Paulo

14 de julho de 2008 | 17h07

O chefe-de-gabinete pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho, confirmou ter conversado por telefone, no dia 28 de maio passado, com o ex-deputado do PT Luiz Eduardo Greenhalgh, advogado do sócio fundador do Banco Opportunity, Daniel Dantas, disse que fez contatos com o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República atendendo a pedido de Greenhalgh, mas negou ter procurado o Ministério da Justiça e a Polícia Federal. As declarações constam de nota divulgada nesta segunda-feira, 14,  pela Secretaria de Imprensa da Presidência da República.     Veja também: 'Não tem cabimento', diz Mendes sobre pedido de impeachment Daniel Dantas espionou juízes paulistas, afirma PF Após habeas-corpus, Daniel Dantas deixa prisão em São Paulo Opine sobre nova decisão que dá liberdade a Dantas  Entenda como funcionava o esquema criminoso  Veja as principais operações da PF desde 2003  Entenda o nome da Operação Satiagraha, que prendeu Dantas    As prisões de Daniel Dantas   Transcrição telefônica da PF da conversa entre Carvalho e Greenhalgh revela que o ex-deputado pediu informações sobre quem estava seguindo, no Rio de Janeiro, após haver deixado os filhos na escola, seu cliente Humberto Braz, ex-diretor da Brasil Telecom, apontado pela PF como um dos intermediários da tentativa de suborno ao delegado da Polícia Federal Vitor Hugo para obtenção de informações da investigação da PF sobre o Opportunity.   Na nota, Carvalho relata que Greenhalgh lhe telefonou para pedir a confirmação de que um policial a serviço da Presidência da República havia seguido um cliente, Humberto Braz, cuja identidade Carvalho afirmou desconhecer na ocasião. Segundo o chefe de gabinete do presidente Lula, o policial, interceptado pela polícia do Rio, mostrou documentos se apresentando como tenente da Polícia Militar de Minas Gerais a serviço da Presidência da República.   Carvalho declara que procurou o GSI e foi comunicado de que o tenente estava credenciado no Gabinete de Segurança Institucional, mas o trabalho que realizava "não tinha nada a ver com o cidadão citado "( Humberto Braz).   "Repassei pelo telefone esta informação ao dr.Greenhalgh, que na ocasião pediu que eu obtivesse mais informações junto à Polícia Federal", contou Carvalho na nota, completando: "Como já havia dado a informação essencial ao advogado, que dizia respeito à segurança pessoal do seu cliente, não fiz contato algum nem com o Ministério da Justiça e nem com a direção ou qualquer integrante da Polícia Federal, conforme já declarado pelas respectivas autoridades".   Abin   Em nota, a  Agência Brasileira de Inteligência (Abin) negou qualquer participação na Operação Satiagraha, conduzida pela Polícia Federal. Diz a Abin serem "absurdas e levianas" informações de que tenha realizado grampo telefônico em apoio às ações da PF sobre o Banco Opportunity. Na nota, a Agência diz que seu diretor-geral, Paulo Lacerda, ex-diretor geral da Polícia Federal, "dedica-se exclusivamente" às funções da Abin desde que deixou a PF, em agosto do ano passado.

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