Assessor de Delcídio rebate versão de Mercadante e diz que ele era 'desafeto' de senador

Segundo Eduardo Marzagão, ministro deixou claro que falava pelo governo, apesar de não ter citado explicitamente o nome da presidente Dilma Rousseff durante as conversas

Isadora Peron, O Estado de S.Paulo

15 de março de 2016 | 20h50

BRASÍLIA 0 O assessor do senador Delcídio Amaral (PT-MS), Eduardo Marzagão, rebateu nesta terça-feira, 15, a explicação de que o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, o procurou para prestar "solidariedade" ao senador. Ele também afirmou que o ministro deixou claro que falava pelo governo, apesar de não ter citado explicitamente o nome da presidente Dilma Rousseff durante as conversas.

“Um cara que é desafeto do Delcídio, que é considerado um ministro de maior confiança pessoal da presidente Dilma, me chama no gabinete de ministro dele, pede para eu entrar sem me identificar, e vem me dizer que isso é solidariedade?”, afirmou.

Para Marzagão, não há dúvidas de que Mercadante o procurou para tentar convencer Delcídio a não fechar o acordo delação premiada com a Procuradoria-Geral da República. “Ele foi claro em me pedir para demover o Delcídio a fazer delação, ele foi claro ao dizer, quando eu disse que o Delcídio estava em situação financeira complicada, que estava até vendendo a casa, ele disse: ‘Nisso aí nós também podemos ajudar’."

O Estado teve acesso às duas gravações das conversas entre Mercadante e Marzagão. O material foi entregue ao Ministério Público Federal, que vai analisar agora se o ministro realmente tentou interferir nas investigações da Operação Lava Jato.

Nesta terça, Mercadante tentou por duas vezes esclarecer o episódio. Primeiro em uma entrevista coletiva, depois por meio de nota. Nos dois momentos, disse que agiu em caráter pessoal e não a pedido de Dilma.

A presidente, por sua vez, afirmou em nota que repudiava “com veemência e indignação a tentativa de envolvimento do seu nome” numa atitude que deveria ser creditada exclusivamente a Mercadante. 

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