Assessor de confiança é afastado

Renan também anuncia sindicância para apurar denúncia de espionagem

Brasília, O Estadao de S.Paulo

10 de outubro de 2007 | 00h00

Ao se defender da tribuna, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), anunciou ontem o afastamento de seu assessor Francisco Escórcio e a abertura de uma sindicância para investigar a denúncia de espionagem contra os senadores Demóstenes Torres (DEM-GO) e Marconi Perillo (PSDB-GO). Acusado de ter sido o responsável por enviar Escórcio para Goiânia, a fim de bisbilhotar os dois senadores, Renan voltou a jurar inocência, mas não convenceu seus pares. "É mentira. Não pedi, não ordenei, não autorizei, não deleguei e não encomendei nenhuma atrocidade como essa", disse o peemedebista. De novo, Renan se colocou no papel de vítima da imprensa por conta das acusações . Desta vez, negou ter investigado a prestação de contas da verba indenizatória dos senadores na tentativa de encontrar irregularidades para constranger e chantagear os colegas."Quero repudiar mais uma vez uma indignidade que o mau jornalismo me atribuiu de forma tão infame, tão abjeta", afirmou ao mencionar reportagem do Estado da edição de ontem. "Todas as mentiras dessa cooperativa de calúnia contra mim até aqui foram derrubadas pela força da verdade. Todas as falsas imputações foram desmentidas com documentos que eu apresentei. Todas as acusações torpes foram desmascaradas", atacou.Renan falou por mais de 20 minutos. Reiterou estar sendo alvo de uma campanha "para derrubar o presidente do Congresso" e negou que tenha articulado a substituição dos senadores Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e Pedro Simon (PMDB-RS) da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) como retaliação por eles defenderem publicamente sua saída do cargo. "Devo esclarecer que sou presidente do Senado e, se há algum interesse nisso, provém daqueles que estimulam a discórdia", afirmou, sem convencer os colegas.Ainda ao comentar a reportagem do Estado de ontem - que revelou que Renan ordenou o diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, que coletasse informações sobre a verba indenizatória -, afirmou: "Não fiz, não farei nenhuma espécie de levantamento sobre a vida pessoal ou política de nenhum dos senhores ou senhoras. Bisbilhotar a vida alheia não é uma prática que eu aprove, muito menos incentive, autorize ou concorde." Nos bastidores, Demóstenes Torres revelou que tem informação de que a bisbilhotice na prestação de contas das verbas indenizatórias dos senadores não se restringiu apenas ao ano de 2006."Pelo que sei foi de 2003 até 2006. É um verdadeiro caminhão de provas", afirmou o senador do DEM. A REAÇÃO NO PLENÁRIOPedro Simon PMDB-RS"Vossa excelência não pode colocar a sua questão pessoal, que eu respeito, acima do conjunto do Senado. Olhe senador, há uma unanimidade. O Senado está no chão, há uma crítica generalizada"Demóstenes TorresDEM-GO"Vossa excelência pode tomar uma providência contra ele (Francisco Escórcio). Mas a providência é pequena. O senhor diz que o está afastando por existir uma suspeição. Mas vossa excelência não se afastou"Aloizio MercadantePT-SP "A presidência tem de ser a imagem institucional do coletivo, desse pluralismo, dos embates. A presidência não pode, em nenhuma oportunidade, ser utilizada para a defesa de um mandato específico"Jefferson Péres PDT-AM"Chegamos a um ponto de achincalhamento do Senado Federal que não é possível mais suportar. A esta altura pouco importa se o senador Renan Calheiros é culpado ou inocente nos processos a que responde" Arthur Virgílio PSDB-AM"Eu me indisponho com a idéia de o senhor permanecer presidente da Casa neste momento. Eu me indisponho com a idéia. O Senado vive um clima de anomalia, não podemos fingir que não há situação anômala"José Agripino Maia DEM-RN"O sentimento que passa pela cabeça de muitos senadores, e são mais hoje do que eram ontem, é que vossa excelência pensa em vossa excelência; não pensa na instituição. Se pensasse na instituição, atenderia ao apelo"

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