Assentamento tem mais desnutridos, diz pesquisa

Filhos de assentados no NE têm déficit de crescimento 1,5 vez maior que demais crianças

Roldão Arruda, CAXAMBU, O Estadao de S.Paulo

26 Outubro 2007 | 00h00

No semi-árido nordestino, uma das regiões mais carentes do País, crianças que vivem em assentamentos da reforma agrária apresentam grau de desnutrição maior que o de filhos de famílias não-assentadas. O déficit de crescimento - um dos indicadores do grau de desnutrição crônica - entre meninas e meninos assentados é 1,5 vez maior que o déficit no grupo dos não-assentados. Em termos de desnutrição aguda, a diferença chega a ser 2 vezes maior.Esses números fazem parte de uma pesquisa por amostragem com crianças menores de 5 anos, realizada em 2005, pelo Ministério do Desenvolvimento Social, cujos resultados foram apresentados ontem durante reunião anual da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisas em Ciências Sociais (Anpocs), em Caxambu (MG). "A situação dos assentamentos é muito precária, pior que a média nordestina", afirmou a professora Leonor Pacheco, da Universidade de Brasília (UnB), uma das coordenadoras do estudo.O levantamento envolveu 19 mil crianças e foi realizado no Dia Nacional de Vacinação. Verificou-se que, enquanto no conjunto do Nordeste 6,6% das crianças apresentam déficit de crescimento, assinalando um estado de desnutrição crônica, nos assentamentos ele chega a 15,5%. A falta de peso adequado para a idade foi de 5,6% no geral e de 8,6% nos projetos da reforma agrária; e o déficit combinado de peso e altura variou de 2,8% para 7,3%.Verificou-se também que 39% das famílias sobrevivem com ajuda do Bolsa-Família, 20% fazem menos de três refeições por dia, 46% não possuem luz elétrica e 92,5% não têm água encanada em casa. No conjunto, 31% dos chefes de família são analfabetos.Foi um resultado inesperado. Na média, o Ministério do Desenvolvimento Agrário despende R$ 42 mil para assentar cada família dentro do programa de reforma agrária, que se expande ano a ano. No semi-árido existem 3.329 projetos com quase 214 mil famílias assentadas. A expectativa do governo é de que, com esse empurrão, elas comecem a produzir alimentos, com melhoria no nível de qualidade de vida. Mas a pesquisa, denominada Chamada Nutricional - Um Estudo sobre a Situação Nutricional das Crianças do Semi-Árido, mostrou outra realidade.

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