Assentamento em MS quer ser marco do Fome Zero

Transformada em assentamento de sem-terra à exatamente um ano, a Fazenda Itamarati está sendo preparada para ser um dos maiores marcos do Programa Fome Zero a ser em 2003 pelo presidente eleito, Luís Inácio Lula da Silva, segundo garante o governador de Mato Grosso do Sul, José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT. Para tanto, estão sendo investidos R$ 18 milhões em infra-estrutura, implementos agrícolas, tecnologia e estudos que garantem a comercialização de toda a produção do local onde vivem atualmente 1.145 famílias de ex-sem-terras.Ex-propriedade do empresário paulista Olacir de Moraes, que chegou a ser conhecido no Brasil e no exterior como "rei da soja", a fazenda, que é o Projeto de Assentamento Itamarati, fica em Ponta Porã, a 290 quilômetros de Campo Grande, na divisa com o Paraguai. Ela foi comprada em 2001 pelo Governo federal por R$ 27 milhões e entregue ao Governo do Estado. Está garantida a participação do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) até a conclusão do projeto.Possui 25.500 hectares, metade da área total que pertencia a Olacir. Em dezembro do ano passado, foi transformada em assentamento e em julho deste ano teve a sua primeira colheita feita por sem-terra do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra) e pela Amffi (Associação dos moradores e ex-funcionários da Fazenda Itamarati), mum total de 900 toneladas de feijão.Na última sexta-feira, foi apresentado aos assentados o PDA (Plano de Desenvolvimento do Assentamento), por técnicos do Idaterra (Instituto de Desenvolvimento da Terra e Extensão Rural), do Governo do Estado. Foi elaborado de forma a garantir pelo menos três salários de renda mensal líquida para cada família. O documento, revela as condições do solo, disponibilidade de água, energia elétrica e mostra como está sendo montada a infra-estrutura produtiva. Durante os próximos cinco meses serão discutidos com os assentados os pontos mais polêmicos do PDA, que são relacionados a produção e comercialização de alimentos.Os assentados estão divididos em quatro grupos, sendo MST, Amffi, Cut-Rural (Central Única de Trabalhadores Rurais) e Fetagri (Federação dos Trabalhadores na Agricultura), cada um em uma agrovila, cujo projeto já prevê a transformação dessas agrovilas em distritos de um futuro município de Mato Grosso do Sul, como aconteceu por exemplo em Novo Horizonte do Sul, cidade que foi construída a partir do Projeto de Assentamento Novo Horizonte do Sul. "Transformar o Assentamento Itamarati em exemplo da reforma agrária, é ponto de honra de meu novo governo. Será o maior marco da Fome Zero no Estado", ressalta Zeca do PT.Mesmo sem as diretrizes do PDA, os assentados plantaram este ano cerca de 11 mil hectares para comercialização e outros 9 mil hectares para a subsistência. O MST por exemplo tem plantado 1.500 hectares de feijão e a mesma quantidade de terra em abóbora, melão, mandioca, quiabo, maxixe, chuchu, verduras e árvores frutíferas, para consumo próprio. Os demais movimentos também plantam para subsistência e comercialização.

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