Assentados na Amazônia estão abandonando terras

Pequenos proprietários rurais assentados nos anos 80 na fronteira agrícola de Rondônia estão abandonando a região, por falta de estímulo para produzir. Muitos vendem o pouco que conseguiram acumular e vão tentar a sorte como migrantes clandestinos em outros países, especialmente nos Estados Unidos, em Portugal, na Espanha e Itália.A informação é do bispo católico d. José Maria Pinheiro, que atua como auxiliar na Diocese de Guajará-Mirim, província eclesiástica formada por uma longa faixa de terra, estendida ao longo da fronteira do Brasil com a Bolívia, num total de 90 mil quilômetros quadrados, a 800 quilômetros de Porto Velho.Nesta terça-feira, na assembléia-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Indaiatuba, interior de São Paulo, d. José Maria lembrou que nos anos 80 o governo estimulou milhares de trabalhadores rurais do Paraná a migrar para aquela região amazônica, oferecendo-lhes terras fertéis numa região de mata virgem e promessas de infra-estrutura para escoamento da produção.Segundo o bispo, de 63 anos, dos quais 19 dedicados ao trabalho de evangelização na Amazônia, essa infra-estrutura nunca deixou de ser apenas uma promessa: "As estradas são péssimas e impedem o escoamento da produção. Até agora, o que mantinha o homem no campo era o café e o leite, hoje com o preço escandalosamente reduzido. A saca de 40 quilos de café na palha vale R$ 12 no período da colheita. A saca de café limpo, despolpado, de 60 quilos, vale R$ 28. O litro de leite, que valeu R$ 0,24, está em R$ 0,14".Para D. José Maria, o problema deve agravar-se com a recente portaria do governo que impõe exigências para a comercialização do leite. "Elas favorecem grandes grupos multinacionais, como Nestlé e Parmalat, em detrimento dos pequenos produtores."

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