Assembléia-RS arquiva pedido de impeachment de Yeda

PSOL queria governadora fora do cargo por conta das denúncias de fraude que desviou R$ 44 mi do Detran

Elder Ogliari, de O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2008 | 20h15

O presidente da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, Alceu Moreira (PMDB) decidiu arquivar o pedido de impeachment da governadora Yeda Crusius (PSDB) apresentado pelo PSOL e PV. A decisão foi anunciada no início da noite desta sexta-feira. "Não há motivo para impedir a governadora eleita pela maioria do povo de continuar seu governo", explicou Moreira.  Veja também: Gravação de conversa abre crise no governo Yeda, no RSDeputados do PT pedem saída de governadora do RSPP e PMDB rompem com chefe da Casa Civil do RS O pedido, elaborado pelo advogado Pedro Ruas, militante do PSOL, foi encaminhado no dia 10 de junho e afirmou que a governadora não negou, em momento algum, conhecer a fraude que desviou R$ 44 milhões dos cofres do Departamento Estadual de Trânsito (Detran). Apontou como evidências a documentação em poder da CPI que investiga o caso, em meio à qual estão gravações de envolvidos na fraude combinando um jeito de se aproximar da governadora para saber se o ex-diretor da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), Delson Martini, poderia orientá-los a resolver um impasse. Para Moreira, o pedido não juntou conteúdo probatório. O deputado estadual destacou, ainda, que a CPI não encerrou suas atividades e que a própria Polícia Federal, que descobriu o esquema, informou que não está realizando qualquer investigação em que figure como objeto a governadora do Estado. "Precisamos tratar essa questão com serenidade para que um fato de natureza absolutamente política não cause ao Estado prejuízos irreversíveis à gestão, à economia e à sociedade gaúcha", sustentou Moreira. CPI Encerrada a fase dos depoimentos, os participantes da CPI do Detran começaram a trabalhar no relatório. O presidente Fabiano Pereira (PT) disse que passará o final de semana analisando documentos para pedir que o relator Adilson Troca (PSDB) inclua todos os nomes de envolvidos que não estão entre os 40 que já respondem processo na Justiça Federal. O PT quer a citação do ex-secretários geral de governo, Delson Martini, e de planejamento, Ariosto Cullau, do ex-chefe da Casa Civil, Cézar Busatto, e do ex-chefe do escritório do Rio Grande do Sul em Brasília, Marcelo Cavalcante, todos demitidos durante a crise. Também está reunindo evidências para incluir na relação a governadora Yeda Crusius e o presidente do Tribunal de Contas do Estado, João Luiz Vargas. "Não podemos fazer acordos, abafamentos e injustiças", afirma Pereira. "Todos os que tiveram algum envolvimento com o caso, por participação ou omissão, devem estar no relatório". Troca já adiantou que não citará Yeda e Martini e que apontará falhas cometidas nas gestões anteriores à fraude descoberta pela Polícia Federal, que começou em 2003. Isso significa que o nome do gestor do Detran à época do governo petista de Olívio Dutra, Mauri Cruz, estará no relatório. "Tenho o dever de apontar irregularidades desde 1997", explicou Troca. Cruz está com seus bens bloqueados a pedido do Ministério Público Estadual, que investiga um convênio de R$ 360 mil firmado pelo Detran em 2001 com a organização não governamental Ruaviva, sem licitação, para a organização de comitês pelo trânsito seguro. Em depoimento à CPI, no dia 10 de março, Cruz admitiu que algumas formalidades foram deixadas de lado, mas sem prejuízos aos cofres públicos, reiterando que isso é diferente dos desvios que ocorreram posteriormente no Detran. Medidas Em meio à maior crise política de sua gestão, a governadora Yeda Crusius anunciou que vai apresentar um projeto de reestruturação do Detran na próxima terça-feira. Os diretores envolvidos na fraude estão afastados desde a Operação Rodin da Polícia Federal, ocorrida em novembro do ano passado. O contrato com a Fundação para o Desenvolvimento e Aperfeiçoamento da Educação e da Cultura (Fundae), que havia sido feito sem licitação, foi rompido em 25 de abril. Yeda não deu detalhes das mudanças que fará na autarquia.

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