Assembleia gaúcha abre CPI contra Yeda

Nas ruas, 2,5 mil pedem punição a tucana e 150 saem em sua defesa

Elder Ogliari, O Estadao de S.Paulo

15 de agosto de 2009 | 00h00

O presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, Ivar Pavan (PT), acolheu ontem o requerimento para instalação da comissão parlamentar de inquérito (CPI) destinada a investigar supostos atos de corrupção no governo de Yeda Crusius (PSDB). Os postos estão divididos: PT, PMDB, PP e PSDB terão dois representantes cada na CPI, enquanto PDT, PTB, DEM e PPS terão um.O requerimento, que teve a assinatura de 39 parlamentares, será publicado no Diário da Assembleia Legislativa na segunda-feira. Haverá prazo de cinco dias para que as bancadas indiquem os nomes que vão compor a comissão. Após a indicação, haverá prazo de três dias para que a CPI seja instalada.Ontem, cerca de 2,5 mil manifestantes voltaram a pedir o afastamento de Yeda, nas ruas de Porto Alegre e ao lado do Palácio Piratini. O Ministério Público Federal move ação de improbidade administrativa contra a tucana e mais oito agentes públicos, acusados de participação, como beneficiários, de fraude de R$ 44 milhões no Detran.A Brigada Militar acompanhou de perto todos os atos do protesto, com um helicóptero e centenas de policiais, incluindo a tropa de choque, nas ruas e praças da cidade.Ao mesmo tempo, outros 150 simpatizantes da administração fizeram manifestação em defesa de Yeda na esplanada da Assembleia Legislativa, a dez metros dos adversários. O clima permaneceu tenso o tempo todo, mas não houve conflito como em 16 de julho, quando seis manifestantes foram detidos diante da casa de Yeda. Em meio a muitas provocações, o único incidente do dia foi a detenção do padre Rudimar Dal Asta, ligado à Via Campesina, por estar entre participantes do ato contra a governadora que jogaram um ovo em direção aos manifestantes favoráveis à governadora gaúcha."Ele incitou o povo", explicou, na correria, um dos policiais que conduziu o religioso, inicialmente para dentro do pátio do Palácio Piratini e, depois, por ordem de seus superiores, para uma delegacia próxima. No termo circunstanciado lavrado pelos policiais, Dal Asta foi acusado de ter arremessado o ovo, atitude que ele nega. "Eu não atirei nada, mas eles estão marcando quem fala da perseguição que fazem aos movimentos populares."GRUPOSA mobilização anti-Yeda reuniu sindicalistas da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Conlutas, CTB e do Fórum de Servidores Públicos Estaduais do Rio Grande do Sul (FSPE/RS), militantes do PT, PSOL e PSTU e de movimentos como a Via Campesina, além de estudantes e alguns populares.Os primeiros atos ocorreram ao amanhecer, diante da sede da Federação das Indústrias, onde a CUT e a CTB pediram a redução da jornada de trabalho, e diante do Palácio da Polícia, para onde integrantes do Fórum de Servidores, fantasiados de policiais, conduziram bonecos algemados representando os acusados pelo Ministério Público Federal de participação na fraude do Detran.No final da manhã, os grupos se reuniram na Praça Marechal Deodoro, mas tiveram de ficar diante da catedral metropolitana porque o governo, há algumas semanas, mantém uma barraca diante do Piratini. Nos inflamados discursos, líderes de todas as tendências contrárias à governadora pediram o impeachment de Yeda, usando palavras como "corrupção" e "quadrilha", que a Brigada Militar havia proibido de aparecer nos cartazes. "Esse movimento só vai parar quando alguns ocupantes saírem do Piratini para o presídio", afirmou o vereador de Porto Alegre Pedro Ruas (PSOL).A poucos metros, separados por apenas uma rua e por centenas de policiais, os manifestantes favoráveis ao governo distribuíram 500 rosas brancas à população e exibiram faixas com dizeres como "Fica, Yeda, o Rio Grande te escolheu". O secretário-geral da Juventude do PSDB, Daniel Ludwig, prometeu que mobilizações semelhantes se repetirão. "Cada vez que eles marcarem alguma coisa, nós vamos sair para proteger a governadora", avisou. Entre os participantes, estavam o marido da governadora, Carlos Crusius, e o chefe de gabinete, Ricardo Lied.

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