Assembleia entrega anexo que custou 169% acima do orçado

Alvo de suspeitas de superfaturamento, prédio deveria estar pronto desde março de 2007

Ricardo Brandt, O Estadao de S.Paulo

05 de agosto de 2009 | 00h00

Com mais de dois anos de atraso, a polêmica obra do edifício anexo de gabinetes da Assembleia Legislativa de São Paulo está pronta - ou quase pronta - para ser inaugurada. O prédio, que virou escândalo por causa de suspeitas de superfaturamento e que deveria estar pronto em março de 2007, finalmente vai ser entregue neste mês.Com 13 mil metros quadrados, a construção, orçada inicialmente em R$ 10,4 milhões, conforme o contrato original assinado pelo então presidente da Casa, Rodrigo Garcia (DEM), custou aos cofres públicos cerca de R$ 28 milhões. Um aumento de 169% em consequência de sucessivos aditamentos e alterações no projeto básico, que estão sendo investigados pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) e o Ministério Público Estadual.O "esqueleto de concreto", que até o início do ano ficava isolado ao público, agora já pode ser visitado. Os jardins ainda estão sendo trabalhados, bem como alguns detalhes dos cinco andares, mas alguns dos seus 60 gabinetes já estão sendo ocupados pelos deputados. Apesar de não ter a grife de arquitetos renomados, o prédio é um exemplar da arquitetura moderna com fachadas envidraçadas e estilo clean. A obra vai ser inaugurada este mês, mesmo com alguns ajustes a serem feitos.A Assembleia funciona no Palácio Nove de Julho, em frente ao Parque Ibirapuera, desde 1968. Na época, eram 75 os deputados estaduais, hoje são 94 e as ampliações nesse período sempre foram na base do improviso. "De fato era necessário que houvesse uma ampliação, pois a estrutura da Casa foi crescendo e o resultado disso é que hoje a Assembleia é um imenso puxadinho", diz o cientista político Humberto Dantas. "O que eu questiono é a forma como isso foi feito. Esse aumento do custo tem que ser investigado."Um dos últimos gastos foi com o cabeamento do prédio, que custou R$ 1,9 milhão. "Vamos inaugurar ainda este mês, definitivamente e com economia nesses últimos contratos", afirma o presidente da Assembleia, Barros Munhoz (PSDB).Com a inauguração, as antigas salas começarão a ser reformadas e ampliadas para aqueles deputados que permanecerão no prédio antigo. O custo disso ainda não foi divulgado. O Orçamento da Assembleia para 2009 é de R$ 598,2 milhões. O maior Legislativo estadual do País tem quase 3 mil funcionários, mas apenas um terço concursado. Cada deputado tem direito a 18 assessores. "Os antigos gabinetes, pelo tamanho, não dava para abrigar esse exército de assessores. Vamos ver se agora, com salas mais espaçosas, podemos ver todos eles trabalhando em benefício da Assembleia e da população", diz a conselheira do Movimento Voto Consciente, Rosângela Giembinsky.A conclusão da obra não põe fim à polêmica envolvendo os gastos de construção. O caso continua a ser investigado sob sigilo. Por enquanto, as apurações estão paradas aguardando perícia dos órgãos técnicos da promotoria. Nesses três anos de construção, a obra passou por momentos curiosos. Um deles foi a inauguração, em 2007, pelo idealizador do projeto, o ex-deputado Rodrigo Garcia (DEM), do prédio ainda inacabado. A gestão dele na presidência da Casa também gastou R$ 2,4 milhões em móveis para os novos gabinetes, até hoje encaixotados.COLABOROU SILVIA AMORIM

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