Assembléia do Rio cassa deputado por corrupção

Acusado ainda de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, Álvaro Lins perdeu o mandato com votos de 36 colegas, o mínimo necessário

Marcelo Auler e Luciana Nunes Leal, RIO, O Estadao de S.Paulo

13 de agosto de 2008 | 00h00

Acusado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal pelos crimes de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha armada, facilitação de contrabando e corrupção passiva, o deputado estadual Álvaro Lins (PMDB) teve o mandato cassado ontem pelo plenário da Assembléia Legislativa do Rio. Votaram a favor da cassação 36 deputados - metade mais um dos 70 parlamentares - exatamente o número mínimo necessário para a cassação. Lins foi chefe da Polícia Civil nos governos de Anthony Garotinho e de sua mulher, Rosinha. A cassação foi proposta pelo Conselho de Ética da Assembléia sob a alegação de quebra do decoro parlamentar.Dos 63 deputados que votaram, 24 foram contra a cassação e 3 se abstiveram. O resultado surpreendeu até parlamentares favoráveis à perda do mandato, que acreditavam que o voto secreto absolveria Lins. No lado oposto, surpreenderam-se também os correligionários do deputado cassado, que antes da sessão pareciam confiantes na vitória. Embora tenha, em público, insistido em manter a isenção durante o processo, o presidente da Assembléia, Jorge Picciani (PMDB), teve um peso importante na cassação do mandato de Lins. Segundo aliados de Picciani, o presidente, com grande influência entre os deputados menos expressivos, vinha dizendo que não valia a pena para o Legislativo o desgaste pela absolvição. Nos bastidores, havia uma divisão entre o grupo de Picciani e o de Lins dentro na Assembléia e no PMDB. Lins foi preso em flagrante por lavagem de dinheiro no dia 29 de maio pela Polícia Federal na Operação Segurança Pública S.A. e saiu da cadeia graças a uma decisão do plenário da Assembléia. Até agora não há informações de novo mandado de prisão contra ele. O ex-chefe da Polícia Civil foi denunciado ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região. No mesmo grupo de denunciados está Garotinho, acusado de fazer parte da quadrilha. Tanto Álvaro Lins quanto Garotinho negam envolvimento nos crimes.No discurso de defesa, o ex-chefe da Polícia Civil chamou de "canalhas", "porcos" e "cachorros" os policiais federais que o prenderam. Fez referência ao livro A Revolução dos Bichos, de George Orwell, em que os animais de uma fazenda se revoltam contra os maus tratos e assumem o lugar do proprietário. "Peço que digam não a esses porcos, a esses cachorros e digam sim à Justiça", apelou.BRIGA DE TORCIDASA sessão plenária teve clima de briga de torcida, com manifestantes a favor e contra a cassação que não paravam de aplaudir, vaiar e xingar.Enquanto os que defendiam a punição chamavam Lins de "ladrão" e gritavam "fora", os defensores do peemedebista xingavam os deputados que iam à tribuna anunciar o voto a favor da cassação. "Bruxa", gritaram para a deputada Cidinha Campos (PDT), uma das maiores defensoras da perda do mandato de Lins. O deputado foi o terceiro parlamentar cassado nesta legislatura. No início deste ano, perderam os mandatos Jane Cozzolino (PTC) e Renata do Posto (PTB). FRASEÁlvaro Lins (PMDB)Deputado estadual cassado e ex-chefe da Polícia Civil"Peço que digam não a esses porcos, a esses cachorros e digam sim à Justiça"

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