Assembléia do ES adia votação sobre cassação do governador

A oposição conseguiu adiar a primeira sessão extraordinária convocada para hoje com o objetivo de votar em plenário o pedido de cassação do governador do Espírito Santo, José Ignácio Ferreira (sem partido). Numa manobra para barrar a sessão, 15 deputados deixaram o plenário, em protesto contra a decisão da presidência de exigir que o pedido só fosse aprovado por maioria de dois terços (20 dos 30 parlamentares) em vez de maioria simples (16 dos 30).O presidente da Casa, José Carlos Gratz (PFL), ameaçou arquivar o processo e pretendia convocar sessões a cada 20 minutos até a meia-noite de hoje. "Vou dar tempo para eles pensarem. Se eles se recusarem a votar, engaveto", afirmou.A tentativa de votar o pedido de impeachment do governador na Assembléia foi marcada por muito tumulto, brigas e pancadaria. Do lado de fora, houve confronto entre os opositores do governador e os aliados dele. A Tropa de Choque da Polícia Militar fechou as entradas na Casa.O governo teria organizado ainda uma forma de encher as galerias da Assembléia apenas com aliados do governador. Policiais sem uniformes ocuparam as galerias no lugar dos manifestantes.Os deputados da oposição recorreram à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembléia sobre a questão da maioria simples ou não. A comissão dará um parecer até dia 3, que terá de ser votado em plenário. A Mesa Diretora não decidiu, no entanto, se o parecer poderá anular o resultado de uma eventual votação de hoje à noite.Grazt e outros 14 deputados que permaneceram no plenário atacaram o pedido de cassação do governador. "Esse pedido nem deveria ter chegado até aqui porque é muito mal elaborado", disse Gratz. "Agora que eles (a oposição) não conseguiram o que querem, não têm coragem de ficar e votar", afirmou o deputado José Tasso (PFL).O governador é envolvido em várias denúncias de corrupção apuradas pelo Ministério Público (MP) e pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Propina.O suposto esquema de cobranças de propinas teria sido organizado pelo cunhado do governador Gentil Ruy (ex-secretário de Governo) e pela primeira-dama, Maria Helena Ruy Ferreira (ex-secretária da Ação Social).Ruy e Maria Helena foram citados pelo relatório final da CPI da Propina, que sugeriu o indiciamento dos dois ex-secretários e de mais 22 funcionários do primeiro e segundo escalões. O cunhado do governador também foi denunciado duas vezes pelo Ministério Público Estadual, acusado de formação de quadrilha e outros crimes. Ele e outros acusados nos inquéritos do MPE estão presos.

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