Assembleia de SP descarta medida imediata contra deputados grampeados

Para Samuel Moreira (PSDB), presidente da Alesp, investigações do Ministério Público ainda estão em fase inicial e não justificam atuação da Casa

Fernando Gallo, de O Estado de S.Paulo

10 Abril 2013 | 18h20

O presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, Samuel Moreira (PSDB) afirmou, por meio de sua assessoria, que até agora "não há elementos que justifiquem medidas" por parte do legislativo em relação aos deputados grampeados pela Operação Fratelli, desencadeada nessa terça-feira, 9, em São Paulo pelo Ministério Público.

 

"As investigações estão na fase inicial e vêm sendo conduzidas pelas autoridades competentes. Até o momento, não há elementos que justifiquem medidas da Assembleia Legislativa", sustentou, em nota. Moreira afirmou acompanhar "com atenção o desenrolar dessas apurações".

 

Dois deputados estaduais - Itamar Borges (PMDB) e Roque Barbiere (PTB) - caíram na interceptação telefônica da operação, que integrou o mutirão de combate nacional contra a corrupção e foi desencadeada na região de São José Rio Preto.

 

Borges é também ex-prefeito de Santa Fé do Sul (SP). Ele foi gravado em conversas com o empresário Olívio Scamati, apontado como o chefe da quadrilha que desviava recursos de emendas. Eles demonstram intimidade. "Seu v..., eu arrumei um jeito, pode deixar que vou arrumar o convênio", diz o peemedebista em uma ligação.

 

Em outro contato, Borges revela planos. "Vamos colocar (a emenda) eu arrumei um jeito, pode deixar que vou arrumar convênio pro município. Eu arrumei uma pessoa que vai matar dois coelhos numa cajadada só, vai arrumar votos pra mim e fazer as correrias pra você (sic)."

 

O deputado afirmou que não fez "nenhuma tratativa de emenda" com Scamatti. Depois, sustentou ter conversado com o empresário por telefone a respeito de uma emenda para uma entidade assistencial de Votuporanga chamada Recanto Tia Marlene, para a qual destinou R$ 50 mil neste ano. "Várias pessoas falaram comigo, pode ser que ele, envolvido com alguma causa social da cidade, tenha direcionado algum assunto nesse sentido. Acho que foi ele que ligou sim".

 

Ele admitiu conhecer Scamatti por ser "um empresário da região" e disse não saber o que queria dizer quando falou sobre "votos" e "correrias". "Não sei fazer nenhuma referência a isso. Com certeza não tem nenhuma tratativa de emenda".

 

Barbiere caiu no grampo supostamente cobrando participação em negócios da organização. Ele teria falado em direcionamento de licitações para aliados. Investigadores avaliam que a conduta do petebista indica que, em 2011, quando protagonizou o escândalo da venda de emendas na Assembleia de São Paulo ele estava blefando, como se mandasse recado a quem o teria traído. Ele nega participação em qualquer tratativa ilícita.

 

 

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