Assembléia de Minas não tem Código de Ética

A Assembléia de Minas, palco do recente escândalo da divulgação dos altos salários dos 77 parlamentares estaduais - eles recebiam de R$ 60 mil a R$ 90 mil, até o mês passado, e reduziram os vencimentos para R$ 18,9 mil, depois de pressão da opinião pública -, não possui um Código de Ética e sequer uma comissão sobre o assunto, na atual legislatura.Segundo a assessoria de comunicação do órgão, a responsabilidade pela investigação de eventuais excessos, quebra de decoro ou irregularidades cometidas pelos parlamentares é de um corregedor - um dos deputados, designado pela Mesa Diretora da Assembléia a cada dois anos.Não há registro, ainda de acordo com a assessoria, de nenhum deputado estadual mineiro que tenha sido cassado, desde os temos do regime militar.Atuação do corregedorUm bom exemplo da atuação do corregedor da Assembléia de Minas aconteceu no início desta semana. Uma emissora de televisão de Belo Horizonte gravou imagens exclusivas, nas quais o chefe de gabinete do deputado Ailton Vilela (sem partido), Luís Sérgio Gazola, atuava como agiota.Utilizando o gabinete do parlamentar para o qual trabalhava, Gazola emprestou dinheiro a uma repórter da emissora e anunciou que os juros seriam de 5%, sem saber que estava sendo filmado.O corregedor Ely Tarqüínio (PSDB) iniciou investigações sobre o caso, para apurar suposto conhecimento de Vilela sobre as atividades de Gazola. Como o parlamentar se disse surpreendido com a prática de agiotagem do chefe de gabinete e o demitiu, Tarqüínio deu o caso por encerrado.

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