Assembléia dá 7 dias a Bragato

Tucano deve explicar até quarta os gastos do CDHU

Silvia Amorim, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2009 | 00h00

O Conselho de Ética da Assembléia Legislativa de São Paulo aprovou ontem prazo de uma semana para que o deputado Mauro Bragato (PSDB) apresente sua defesa ao colegiado. Os deputados também decidiram que somente após a manifestação do tucano e uma análise da documentação encaminhada pela Procuradoria-Geral de Justiça definirão se será instaurado um processo para apurar as denúncias. O conselho tem 30 dias para tomar a decisão.Ex-líder da bancada do PSDB na Assembléia, Bragato é suspeito de ter recebido R$ 104 mil, entre 2003 e 2005, da empreiteira FT Construções. Esta é acusada pelo Ministério Público de liderar um esquema de desvio de recursos de obras da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) na região de Presidente Prudente, base eleitoral do deputado. O esquema foi denunciado à Justiça em maio. O Tribunal de Justiça e a Promotoria da Cidadania abriram procedimentos para apurar o caso.DEFESAO prazo dado pelo conselho para o deputado se manifestar termina na próxima quarta-feira. Bragato pode fazer uma defesa por escrito ou pessoalmente. Até ontem ele não havia decidido como se defenderá.A próxima reunião do Conselho de Ética foi marcada para quarta-feira e acontecerá a portas abertas. Ontem, a sessão começou a portas fechadas, mas os parlamentares logo liberaram para acompanhamento da imprensa. O pedido de reunião reservada havia sido feito no dia anterior, quando os membros do conselho defenderam que isso era necessário para que pudessem analisar os documentos da Procuradoria-Geral de Justiça, que estão sob sigilo.UM MÊSO caso de Bragato completou um mês no Conselho de Ética sem se definir a eventual abertura de investigação. Composto em sua maioria por deputados da base governista - apenas o presidente do colegiado, deputado Hamilton Pereira (PT) é da oposição - , o conselho tem adiado sucessivamente a decisão sobre a instauração de processo ou o arquivamento.Para esfriar a discussão, aproveitando o recesso parlamentar, os governistas chegaram a devolver em julho as duas representações do PT e PSOL à Mesa Diretora da Casa, alegando que a documentação não era consistente. Bragato nega as suspeitas de recebimento de propina e acusa adversários políticos em Presidente Prudente pelas denúncias.

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