FELIPE RAU/ESTADÃO
FELIPE RAU/ESTADÃO

Assediado pelos tucanos, vice de Doria é ‘articulador discreto’

Para tentar atrair Rodrigo Garcia, PSDB decide que terá candidato próprio em SP se governador disputar o Planalto

Bruno Ribeiro e Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2021 | 05h00

Conhecido por seu perfil de articulador partidário e discreto nas aparições públicas, o vice-governador paulista, Rodrigo Garcia (DEM), acabou arrastado para os holofotes nas duas últimas semanas com a missão de dar os informes mais amargos sobre o andar da pandemia de covid-19 e, assim, preservar a imagem do governador João Doria (PSDB). Esse movimento ocorre enquanto, nos bastidores, Garcia se torna alvo de assédios dos tucanos para migrar para a legenda nas eleições de 2022

O PSDB estabeleceu as condições para que a proposta seja irrecusável: a executiva paulista determinou, no mês passado, que o partido obrigatoriamente terá candidatura própria para o governo e que, caso o candidato dispute reeleição, não haverá prévias. 

Ou seja, seu nome na urna estaria garantido. Sábado passado, a ida de Garcia para o PSDB foi discutida em jantar na casa do governador João Doria no qual, além do vice-governador, estava o deputado Rodrigo Maia, que já anunciou a saída do DEM após o racha no partido pela derrota do grupo nas eleições da Câmara. 

Garcia, segundo interlocutores, não descarta a possibilidade de migração nem vê na mudança uma ação que afete as relações com sua atual legenda. O movimento teria de ser feito garantindo o apoio dos cerca de 50 prefeitos que o DEM tem no Estado. Mas o vice-governador prefere postergar a decisão até que o cenário eleitoral fique mais claro. O Estadão procurou Garcia, mas a assessoria avisou que ele não daria entrevistas. 

Imposição

O DEM, entretanto, vê a situação com mais incômodo. Dirigentes da legenda dizem que o convite vem sendo feito em termos impositivos, e que Doria deveria buscar uma proposta para viabilizar Garcia sem a condição da migração – a candidatura ao governo do Estado já era esperada desde a campanha de 2018. Para esses dirigentes, o governador não tem condições, no momento, de oferecer pactos nacionais em nome do PSDB, que se vê envolvido em conflitos internos. 

Garcia é filiado ao DEM desde 1994, quando tinha 20 anos e o partido se chamava PFL. A entrada na política foi apadrinhada por Gilberto Kassab, de quem Garcia chegou a ser sócio em quatro empresas nos anos 1990. Hoje ele divide o controle da legenda no Estado com o vereador paulistano Milton Leite, que fez de seu filho Alexandre, deputado federal, presidente da Executiva estadual. Aos 46 anos, o vice-governador tem um discurso econômico liberal. É advogado, nascido em Tanabi (cidade de 26 mil habitantes próxima a São José do Rio Preto) e seu jeito de falar pausado, com sotaque do interior paulista, por vezes faz o interlocutor lembrar dos trejeitos de Geraldo Alckmin, de quem ele foi secretário estadual por três vezes. 

Enquanto o futuro ainda é discutido, Garcia trabalha no Palácio dos Bandeirantes ocupando praticamente todos os espaços decisórios possíveis. Literalmente, ele já ocupa o gabinete do governador: sua sala, no segundo andar do palácio, é o gabinete onde os antecessores Alckmin e José Serra despachavam (Doria ocupa uma sala na ala residencial do palácio). 

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