Adriano Machado/Reuters
Adriano Machado/Reuters

Assediado pelo Centrão, Bolsonaro agora recebe convite para se filiar ao PL

Presidente não respondeu se irá se filiar a legenda; partido é comandado pelo ex-deputado Valdemar Costa Neto, condenado no mensalão e investigado na Lava Jato

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2020 | 19h03

BRASÍLIA – O presidente Jair Bolsonaro tem recebido vários convites para se filiar a partidos do Centrão. O mais recente foi feito pelo senador Jorginho Mello (SC), que insiste para Bolsonaro entrar no PL. A sigla é comandada pelo ex-deputado Valdemar Costa Neto, julgado e condenado no escândalo do mensalão e investigado pela Operação Lava Jato. Jorginho se aproximou de Bolsonaro nos últimos meses e foi alçado a vice-líder do governo no Congresso.

Sem conseguir tirar o partido Aliança pelo Brasil do papel, o presidente já conversou com pelo menos outras quatro legendas do Centrão para uma possível filiação: Republicanos, PTB, Progressistas e Patriota. Além disso, mantém conversas com o PSL, pelo qual foi eleito, em 2018, mas brigou no ano passado. A disputa envolveu o comando de diretórios estaduais e a distribuição de recursos partidários.

O aceno do PL para Bolsonaro foi feito em pelo menos duas ocasiões, ainda antes do primeiro turno das eleições municipais. Uma das conversas ocorreu no Palácio do Planalto, há duas semanas. A outra foi durante a viagem do presidente a Santa Catarina, no último dia 6. Bolsonaro não respondeu se aceitaria ou não se filiar à legenda, mas deixou as portas abertas.

O desempenho no primeiro turno das eleições serviu para reforçar as conversas do chefe do Executivo com o Centrão. Para se candidatar a novo mandato, em 2022, o presidente precisa estar filiado a um partido. O PL, por exemplo, elegeu 345 prefeitos no último domingo, 46 a mais do que em 2016 até o momento. A legenda ainda disputará o segundo turno em algumas cidades.

Como mostrou o Estadão/Broadcast, o resultado das urnas aumentou a resistência de alas do PSL a uma reaproximação com Bolsonaro. Desde que saiu da sigla, há um ano, o presidente está sem partido.

Bolsonaro foi derrotado na maioria das cidades onde anunciou apoio para candidatos a prefeito e a vereador. A falta de musculatura política para criar um partido – já que o Aliança pelo Brasil até hoje não conseguiu as assinaturas suficientes para ficar de pé – fez com que ele ensaiasse o retorno ao PSL, também de olho no fundo milionário da legenda e nos preparativos para 2022.

Governistas têm usado o resultado das disputas municipais para comemorar o avanço do Centrão. Em entrevista nesta quarta-feira, 18, ao “Papo com Editor”, do Broadcast Político, o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), afirmou que esse quadro sinaliza o avanço da pauta econômica do Executivo no Congresso e o otimismo para a reeleição de Bolsonaro.

“O presidente Bolsonaro, se acertar na economia, terá as condições de liderar esse grupo de partidos que se consagrou vitorioso nas eleições municipais”, disse Bezerra Coelho.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.