Assassinos de líder de assentados são presos

Foram presos nesta quinta-feira, em Barreiros, na zona da mata sul, em Pernambuco, os dois acusados de terem matado José Cândido da Silva, presidente da Associação dos Assentados de Mascatinho, no município vizinho de Tamandaré.A delegada de Tamandaré, Ana Patrícia Alcoforado, disse não ter dúvida de que eles foram os executores do crime, pois foram reconhecidos por cinco testemunhas oculares, mas adiantou que pode haver outras pessoas envolvidas. ?Isso é somente aponta da criminalidade?, afirmou ela em entrevista coletiva, no Recife, durante aapresentação dos assassinos ? Aldemir Moura Batista, 24 anos, conhecido como Bode,e seu irmão, Aldemário Moura Batista, 18.Segundo a polícia, José Cândido ? morto em uma emboscada na manhã da segunda-feira - havia recebido várias ameaças de morte de Aldemir desde que ele perdeu sua parcela de terra no Mascatinho.Ex-assentado, Aldemir chegou a vender seu lote por R$ 2 mil, mas o presidente da associação conseguiu desfazer a venda e repassou a parcela ao Incra.A delegada destacou, porém, que a morte pode estar ligada à extração ilegal de madeira da reserva ecológica do assentamento, como denunciou o Movimento dos Sem Terra (MST).?A parcela de Aldemir abrigava pessoas envolvidas com a venda da madeira e que faziam roubos na comunidade?, disse ela. A Prefeitura de Tamandaré confirmou que José Cândido estava ameaçado de morte pelos madeireiros que denunciava constantemente ao Ibama e Incra pelodesmatamento irregular da reserva pertencente à área do assentamento, que tem 62famílias e uma área total de 800 hectares ? 600 agricultáveis e 200 hectares de mataatlântica.Os assentados do Mascatinho estão ?apavorados?, segundo a delegada, e as cinco testemunhas oculares do crime deverão ser amparadas pelo programa Pró-vita, de proteção a testemunhas, coordenado pelo Gabinete de Apoio Jurídico às Organizações Populares (Gajop).?O medo das pessoas dificultou as investigações e elas temem a morte por terem falado à polícia?, afirmou a delegada. Aldemir e Aldemário negaram o crime. Eles foram presos no centro de Barreiros, na rua, pela polícia civil local e de Tamandaré. Não foram encontradas armas onde eles moravam, na Vila Tibirí, uma favela de Barreiros.Os dois foram encaminhados para o presídio de Rio Formoso, também na zona da mata sul, e poderão ser condenados a 30 anos de prisão por homicídio qualificado. Por envolver a problemática da terra, o caso está sendo acompanhado pela gerente de coordenadoria de direitos humanos dasecretaria estadual de Defesa Social, Amparo Araújo, por solicitação do governo doEstado e do secretário nacional dos Direitos Humanos, Nilmário Miranda.

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