Assassino de ex-chefe do DOI-Codi foge da prisão em Porto Alegre

Preso desde dezembro de 2012, o policial militar Maiquel de Almeida Guilherme havia sido condenado a 22 anos de prisão

Lucas Azevedo - Especial para O Estado, O Estado de S. Paulo

06 de dezembro de 2014 | 11h24

PORTO ALEGRE - Um dos assassinos do coronel da reserva Júlio Miguel Molinas Dias, ex-chefe do DOI-CODI do Rio de Janeiro, em 2012, o policial militar Maiquel de Almeida Guilherme fugiu da cadeia, nessa sexta-feira, 5. Ele estava preso no Batalhão de Polícia de Guardas, em Porto Alegre, aguardando sua expulsão da Brigada Militar. Depois disso, ele seria transferido para o Presídio Central.

Segundo a corregedoria da BM, Guilherme acessou o telhado do batalhão, na noite dessa sexta-feira, depois de arrombar uma porta e passar por uma janela. Da cobertura, pulou um muro e entrou em um carro para, então, desaparecer. O soldado estava preso desde dezembro de 2012 e havia sido condenado a 22 anos e 10 meses de prisão. A polícia faz buscas pelo fugitivo.

Guilherme participou do assassinato de Molinas Dias, 78 anos, no dia 1º de novembro de 2012, em Porto Alegre. O coronel foi morto quando chegava em casa, em seu carro, no bairro Três Figueiras. Na época, foram presos Guilherme e um colega de farda, a namorada de um deles e outro suspeito. Eles foram acusados de envolvimento com assaltos e tráfico de drogas. Os suspeitos teriam rendido Molinas para invadir sua casa e roubar o arsenal que o oficial mantinha.

O assassinato do coronel acabou por desencadear a descoberta de documentos sobre o desaparecimento do ex-deputado Rubens Paiva, em 1971. Durante as investigações, foram encontrados na casa de Molinas documentos relativos ao regime militar. Ele foi chefe do Destacamento de Operações Internas (DOI-Codi) do Rio de Janeiro, no início da década de 1980.

No arquivo que o coronel da reserva mantinha em casa, foi encontrado um ofício datado de 20 de janeiro de 1971 que continha uma relação de objetos pessoais que estavam com Rubens Paiva no momento de seu desaparecimento. O relatório identifica ainda que o deputado chegou ao DOI-Codi naquele dia trazido por uma equipe do Centro de Inteligência da Aeronáutica.

O documento contraria a versão dada pelo Exército até então, de que o deputado havia sido sequestrado quando estava a caminho da sede do órgão repressor.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.