Assassino de Dorothy Stang diz que sofria ameaça da freira

Rayfran Sales, autor dos seis tiros, diz que missionária então com 73 anos ameaçou arrancar sua plantação

22 Outubro 2007 | 13h51

Em interrogatório que durou mais de duas horas, Rayfran das Neves Sales, acusado pela morte da missionária Dorothy Stang, alegou em sua defesa que foi ameaçado pela freira americana,  segundo informou nesta segunda-feira, 22, o Tribunal de Justiça do Pará. Dorothy era uma senhora de 73 anos à época do assassinato.   Em júri popular, conduzido pelo juiz Raimundo Moisés Alves Flexa, da 2ª Vara penal da Comarca de Belém, Sales afirmou que foi ameaçado enquanto plantava capim em um lote de Anapu, a 300 quilômetros da capital paraense.   Segundo o autor dos seis tiros que mataram Dorothy em 2005, a americana teria dito que sua plantação não adiantava porque seria arrancada pelos homens do Programa de Desenvolvimento Sustentável, do qual a freira era uma das lideranças.   Sales foi interrogado pela segunda vez. Ele foi condenado em dezembro de 2005 a 27 anos de prisão, mas como sua pena ultrapassa 20 anos, ele teve direito a novo júri.   A missionária americana trabalhava com a Pastoral da Terra e comandava o programa em uma área autorizada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).   Acusados   Rayfran negou qualquer participação dos acusados Amair Cunha, Vitalmiro Moura e Regivaldo Galvão no assassinato. Contudo, o acusado revelou que, após o crime, se escondeu na fazenda de Vitalmiro, juntamente com Clodoaldo Batista, mas que o dono do local os teria mandado embora quando soube do crime.   Em julho, Vitalmiro foi condenado a 30 anos de prisão como mandante do assassinato. Ele foi considerado culpado por homicídio duplamente qualificado com agravante de a vítima ser idosa. Ele também terá direito a um segundo julgamento.   No total, quatro pessoas já foram condenadas pelo crime. Clodoaldo Batista pegou pena de 17 anos como co-autor do crime.   Durante seus depoimentos, Rayfran acusou Chiquinho do PT como mandante do crime, mas depois o isentou e disse que o responsável pela "encomenda" do crime era Amair Feijoli da Cunha. Amair foi condenado a 18 anos de reclusão.   Próximo a ser julgado, Regivaldo Pereira Galvão, o segundo denunciado como mandante do crime, está em liberdade, beneficiado por decisão do Supremo Tribunal Federal, enquanto aguarda julgamento de recurso em que pede sua exclusão do processo.   Segundo denúncia do Ministério Público, o crime teria sido encomendado a um valor de R$ 50 mil, a mando de Vitalmiro e Regivaldo.   Outros crimes   O Ministério Público Federal denunciou, há pouco mais de três meses, os acusados pela morte de Dorothy Stang por submeter trabalhadores à condição análoga a de escravo, frustração de direito trabalhista, aliciamento de trabalhadores e falsificação e omissão de informação em documento público.   Regivaldo Pereira Galvão, Vitalmiro Bastos de Moura, Vander Paixão Bastos de Moura e Valdivino Felipe de Andrade Filho foram denunciados à Justiça Federal por manter 28 trabalhadores em condição de escravidão na Fazenda Rio Verde, a 60 quilômetros de Anapu, na região da Transamazônica.   O flagrante dos crimes foi realizado pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel do Ministério do Trabalho em 2004 no meio da mata fechada e tinham como único abrigo um barraco de palha e plástico preto, com chão de terra batida. O acampamento não tinha sanitários, fossas, fornecimento de água potável ou materiais de primeiros socorros e os trabalhadores não recebiam equipamentos de proteção individual.   Além da acusação de trabalho escravo, os réus são acusados de falsificação de documento público.   Com Agência Estado e Agência Brasil

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