Assassino de deputado é condenado a 30 anos

O Tribunal do Júri condenou nesta terça-feira à noite em Belém a 30 anos de prisão, por seis votos a um, o pistoleiro Péricles Ribeiro, acusado de matar com quatrotiros, em 1984, o deputado João Batista (PSB).Ribeiro veio do Maranhão, onde cumpre pena por outros dois assassinatos deencomenda, para ser julgado na capital paraense.O julgamento foi assistido pelos governadores Ronaldo Lessa, de Alagoas, e João Alberto Capiberibe, do Amapá, além deativistas dos direitos humanos de vários Estados e sindicalistas ligados à questão agrária.A sessão começou às 8h e foiencerrada às 19h30, quando o juiz Cláudio Augusto Montalvão das Neves leu a sentença dos sete jurados."A justiça neste caso só estará completa quando forem julgados os mandantes", reagiu a viúva, a deputada estadual SandraBatista (PC do B), que assistiu ao julgamento ao lado das duas filhas adolescentes, Dina e Renata.Sandra escapou de sermorta juntamente com as filhas, que em 1984 ainda eram crianças. Elas estavam no carro dirigido pelo pai e testemunharam ocrime, na porta do prédio onde Batista residia com a família.Segundo a deputada e integrantes da Comissão Pastoral da Terra, Batista foi assassinado a mando de "fazendeiros epoderosos influentes no Pará".Dina, uma das filhas, foi taxativa: "Os mandantes não aparecem porque o crime teve conotaçãopolítica".Um dia antes de ser assassinado, o deputado ocupou a tribuna da Assembléia Legislativa para denunciar que estava sendoameaçado de morte. Ele liderou várias ocupações de terra no interior do Pará, atraindo o ódio dos fazendeiros.Antes de se eleger deputado, João Batista havia sofrido três atentados. O primeiro foi em 1985, quando trafegava pela rodoviaBelém-Brasília. O veículo que conduzia foi atingido por vários disparos de arma de fogo.O segundo atentado aconteceu emSanta Isabel do Pará, desta vez na BR-316. Seu carro foi perseguido por outro veículo, que o jogou para cima de uma carreta,levando-o à colisão.Depois, já exercendo o mandato de deputado, durante ato público e passeata pela reforma agrária em Paragominas, foiatingido de raspão por tiros.

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