Assassino de Daniella Perez volta ao teatro

Quase dez anos após o assassinato da atriz Daniella Perez, o ator Guilherme de Pádua, de 33 anos, condenado pela Justiça como um dos autores do crime, voltou a atuar no teatro. O ator estreou no último sábado na direção de uma peça evangélica. Cerca de cinco mil fiéis lotaram a Igreja Batista da Lagoinha, na região Noroeste da capital mineira, para assistir a exibição de "Integração Profética", cujo roteiro é de autoria de Pádua. A peça, um misto de encenação e musical, é composta de cerca de 50 integrantes da igreja, entre eles o ator, que se converteu à religião evangélica durante o período em que esteve preso no Rio de Janeiro. Desde 1999, quando passou a morar em Belo Horizonte, em regime condicional, Pádua freqüenta a igreja. O assassinato de Daniella Perez - morta com 18 golpes de tesoura em 28 de dezembro de 1992, na Barra da Tijuca - foi atribuído a ele e mulher dele Paula Thomaz. Na época, o ator, que iniciou a carreira aos 15 anos, na capital mineira, contracenava com Daniella na novela De Corpo e Alma, escrita por Glória Perez, mãe da vítima. Ambos foram condenados pela Justiça carioca: Guilherme de Pádua a 18 anos e quatro meses e a mulher, como co-autora, a 15 anos de prisão. O ator, que cumpriu seis anos e dez meses, teve a pena extinta, e Paula Thomaz obteve indulto. O líder do Grupo de Louvor Manancial, Lourival de Jesus, que atua como vocalista e também dirige a encenação, admite que a peça ganhou destaque devido à participação do ex-ator. "Temos convites para nos apresentar em várias igrejas evangélicas da cidade. A curiosidade do povo é imensa".No último sábado, Guilherme de Pádua não subiu ao palco, que foi improvisado no altar da igreja. O público, porém, estava ciente de que a montagem tinha a sua participação, já que seu nome estava em destaque nos panfletos e cartazes distribuídos pelas ruas da região. Segundo Lourival, a receptividade ao trabalho servirá para diminuir a discriminação que envolve o processo de reinserção social. O líder evangélico chegou a compará-lo com um santo da Igreja Católica. "É o caso do apóstolo Paulo, que hoje é o Santo Paulo da Igreja Católica. Ele foi o maior perseguidor da igreja. Quantos ele matou?", questionou. "Depois que ele teve um encontro com Jesus, se tornou um Santo". Guilherme de Pádua se emocionou com a apresentação da peça, conta Lourival. "Ele ficou muito feliz. O objetivo foi alcançado", diz. De acordo com o líder Batista, a intenção é levar a montagem - cujo enredo trata da salvação por intermédio da religião - também para ser apresentada em presídios da Grande Belo Horizonte. Ao lado de pastores, o ator costuma participar de trabalhos de visitar presos. Avesso a qualquer à imprensa, Pádua mora com os pais em Belo Horizonte e cursa a faculdade de Ciência da Computação na Pontífice Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas).

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