Assassinatos no campo são fruto de omissão do governo, diz OAB

Segundo Ophir Cavalcanti, presidente da entidade, advogados vem denunciando o problema, agravado por 'um arremedo de reforma agrária'

Eduardo Kattah, de O Estado de S. Paulo

03 de junho de 2011 | 18h01

BELO HORIZONTE - Os recentes assassinatos de agricultores na região amazônica são fruto da omissão dos governos federal e estaduais e de um "arremedo de reforma agrária", afirmou nesta sexta o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcanti.

 

"A OAB vem denunciando há algum tempo essa omissão. Omissão dos governos federal, estaduais, nessas áreas de conflito. É necessário que haja ações concertadas, é necessário que haja uma política de reforma agrária nesse país, que não se continue com esse arremedo de reforma agrária", disse Cavalcanti, após participar de um encontro das seccionais da Ordem em um hotel de Belo Horizonte. "Se apelidou de reforma agrária entregar lotes de terra e simplesmente fazer assentamento e não dar condições para que o agricultor familiar possa evoluir."

 

Para o presidente da OAB, as mortes de trabalhadores e líderes camponeses na região da Amazônia "é a repetição de algo que vem acontecendo há muito tempo", fruto do "descaso" do poder público.

"É uma região em que a terra é o meio de sobrevivência das pessoas. É uma região em que os lugares dos conflitos pertencem todos, absolutamente todos, à União, que é a maior latifundiária do Pará, do Amazonas...", disse.

 

Segundo Cavalcanti, o governo brasileiro deve assumir seu papel e encarar "a Amazônia com outro olhar". "Não com um olhar de pena, mas de que efetivamente o Brasil só pode crescer para ali. É necessário cuidar da natureza, afastar a grilagem de terras, acabar com desmatamento e com a venda ilegal de madeiras. Isso tudo tem proporcionado a instalação do crime organizado na região e a morte de agricultores."

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