Assassinatos de índios crescem 62%, revela estudo

O número de índios assassinados no Brasil aumentou de 57 em 2006 para 92 no ano passado, um crescimento de 62%, como aponta o relatório Violência contra os povos indígenas. O documento foi divulgado ontem pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) no penúltimo dia da 46ª Assembléia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Indaiatuba, interior de São Paulo. Veja a íntegra do relatório do CimiO número é o maior desde 1988, quando o Cimi começou a fazer levantamentos anuais. O Estado de Mato Grosso do Sul tem sido o local com maior registro de casos: 53 assassinatos em 2007 - 99% maior que em 2006, quando 27 índios foram mortos. O relatório também chama a atenção para a situação no Maranhão, onde ocorreram dez assassinatos, e em Pernambuco, com sete homicídios."Os dados mostram que um verdadeiro genocídio continua em curso no Mato Grosso do Sul: maior número de vítimas de assassinato, tentativas de assassinato e suicídios; índices ainda altos de desnutrição, mortalidade infantil, alcoolismo e toda sorte de agressões e ameaças", afirma a antropóloga Lúcia Helena Rangel, PUC-SP e coordenadora do estudo.Das ocorrências em 2006, o Cimi aponta que 11 foram praticadas por não-indígenas. Os meios utilizados foram armas de fogo (em 12 casos), armas brancas como facas, canivetes, facões (28 casos) e outros meios como pedaços de madeira, ferro, espancamentos ou meios desconhecidos. Em 2007, predomina o uso de armas brancas: são 42 casos cometidos com faca, facão ou foice, 24 assassinatos por arma de fogo e outros por espancamentos e estrangulamentos.O relatório destaca ainda as ocorrências na Bahia, onde em 2004 e 2005 não houve registro de assassinatos e, em 2006, cinco casos foram registrados.Segundo avaliação do antropólogo Ricardo Verdum, publicada no relatório do Cimi, o período de 2003 a 2006 foi marcado pela dificuldade de articulação e coordenação intersetorial sobretudo da Fundação Nacional do Índio (Funai). Para o bispo da Prelazia do Xingu (PA) e presidente do Cimi, dom Erwin Kräutler, a violência contra os índios está diretamente ligada à disputa de terras. "Os índios são encurralados numa área diminuta e não têm condição de sobreviver ou esta terra está sendo roubada", afirmou.Procurada, Funai informou que comentaria o estudo hoje.

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