Assaltante ameaçado é transferido de prisão

O assaltante de bancos e carros-fortes Marcelo Borelli será transferido da Superintendência da Polícia Federal em Brasília para um presídio comum em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. A transferência foi solicitada pelo superintendente regional da PF, Paulo Gustavo de Magalhães Pinto, e intermediada pelo Departamento Penitenciário do Ministério da Justiça, após os presos tentarem, por duas vezes, assassinar Borelli. O assaltante deve ser levado em um avião fretado pela Polícia Federal, para garantir a segurança da viagem. O horário do vôo não foi confirmado. Borelli ficou famoso por comandar o assalto a um carregamento de 61 quilos de ouro de um avião da Vasp no ano passado, em Brasília, e por seqüestrar um avião em Foz do Iguaçu, no Paraná. O assaltante também é acusado de torturar uma criança de três anos. Cenas da sessão de tortura foram gravadas em um vídeo e exibidas em um programa popular. Em maio deste ano, ele comandou a primeira rebelião em uma superintendência da Polícia Federal no Brasil, portando apenas uma falsa arma de sabão. Na época, ele exigia sua transferência e a dos demais integrantes da quadrilha para o Paraná. A transferência chegou a ser efetuada, mas, por razões de segurança, o assaltante retornou a Brasília. Em menos de 72 horas, Borelli foi vítima de duas tentativas de homicídio. A primeira ocorreu na segunda-feira, durante o banho de sol dos internos, no pátio da Superintendência. Ele foi espancado por 28 detentos, entre eles o traficante Fernandinho Beira-Mar, teve parte do couro cabeludo arrancada, traumatismo craniano e foi internado no setor de politraumatizados do Hospital de Base, onde levou 50 pontos na cabeça. O assaltante teve alta nesta manhã e, ao retornar à Superintendência, foi vítima de uma segunda tentativa de assassinato. Assim que Borelli entrou na PF, um grupo de presos queimou colchões em frente à cela do assaltante e desviou a câmara de vídeo do circuito interno para que a ação não fosse detectada pelos agentes da Polícia Federal. Borelli chegou a se intoxicar com a fumaça, e a situação só não foi mais grave porque ele molhou a gaze que envolvia o seu ferimento, colocando-a em frente ao rosto.

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